A recente aprovação pela Câmara dos Deputados do projeto que institui a Semana Nacional de Retiros Culturais, de autoria da senadora Eliziane Gama, reacende um debate necessário sobre o papel do Congresso e suas prioridades. A proposta, que segue para sanção presidencial, oficializa no calendário brasileiro eventos religiosos realizados durante o Carnaval, prática já consolidada entre fiéis evangélicos.
Embora a iniciativa seja apresentada como reconhecimento cultural e religioso, ela levanta preocupações legítimas. O Brasil é um país plural, laico e diverso, e o Congresso não deve se converter em representante de bandeiras religiosas específicas. A oficialização de retiros pode abrir espaço para demandas de apoio logístico e financeiro, transformando celebrações particulares em nichos de aplicação de recursos públicos.
É preciso lembrar que o Parlamento existe para legislar em favor de causas universais e urgentes: educação, saúde, segurança, combate à miséria e redução das desigualdades. Quando parlamentares dedicam tempo e energia a projetos de alcance restrito, deixam de enfrentar os problemas estruturais que afetam milhões de brasileiros.
No caso do Maranhão, estado da própria senadora, os desafios sociais são profundos e exigem políticas públicas consistentes. A insistência em pautas religiosas, ainda que legítimas para determinados grupos, revela desconexão com as prioridades reais da sociedade. A política não pode se reduzir a atender demandas de segmentos específicos em detrimento do coletivo.
A oficialização da Semana Nacional de Retiros Culturais pode até agradar parte do eleitorado evangélico, mas não responde às necessidades mais urgentes da população. O Congresso deve ser guardião de causas nobres e estruturantes, não palco de disputas confessionais. A laicidade do Estado é um princípio constitucional que precisa ser respeitado e reafirmado.
Em vez de concentrar esforços em pautas urgentes que impactam diretamente a coletividade — como saúde, educação, segurança e combate às desigualdades — a senadora Eliziane Gama dedica tempo, dinheiro público e energia a iniciativas de alcance restrito e pouco relevante para os graves problemas sociais que assolam o Maranhão e o país. Essa postura revela fragilidade política e falta de compromisso com as demandas mais prementes da população. O Maranhão vai de mal a pior com a qualidade sofrível de seus políticos.
Não é difícil imaginar que uma parlamentar com esse perfil consiga renovar seu mandato, já que o eleitorado tende a exigir representantes mais preparados e comprometidos com causas de impacto coletivo.