domingo, 20 de setembro de 2026
A banalização da política brasileira
quinta-feira, 17 de setembro de 2026
A revoada eleitoral de candidatos ao cabide de emprego político
Em época de eleição, pelo país afora, o cenário lembra uma revoada de pássaros ao entardecer, em busca de abrigo para a noite. Assim também, em todas as cidades, candidatos — novatos e veteranos — procuram nos eleitores um refúgio para garantir um cabide de emprego político bem remunerado. Afinal, até mesmo um simples vereador, em municípios pobres, costuma receber mais que um professor.
Se aqueles que ingressam na política o fizessem com o propósito genuíno de prestar um serviço à nação, tudo estaria bem. Mas, na prática, os interesses são escusos: ou buscam usufruir das benesses públicas, ou defendem grupos que financiam suas campanhas. A política no Brasil é tão cobiçada que o jornal espanhol El País já afirmou: “ser político no Brasil é um grande negócio, dadas as grandes vantagens auferidas.”
O cargo político é de tal maneira atraente que muitos não querem largar a vida pública: professores, profissionais liberais e, sobretudo, oportunistas em geral. Quando observo campanhas que incentivam a participação feminina na política, pergunto a mim mesmo: será que o interesse é realmente servir à nação ou apenas ocupar o cabide de emprego e desfrutar das luzes do poder? Nesse movimento, surgem candidaturas da esposa de um ex-presidente e de outros políticos.
Se o exercício político não fosse tão bem remunerado, esse interesse se manteria? Se fosse apenas uma ajuda de custo para um mandato transitório, como prestação cívica de serviço ao país, certamente o número de interessados seria bem menor. Restariam apenas pessoas dignas, dispostas a servir sem esperar recompensas financeiras. Nesse cenário, a política seria exercida com seriedade, e as falcatruas e a corrupção seriam minimizadas.
Não deveria existir reeleição, pois o Parlamento precisa de oxigenação constante. Política não pode ser confundida com profissão. Aos que se consideram indispensáveis, lembro que nos cemitérios repousam inúmeros ex-políticos, já esquecidos, cujas ausências não foram sentidas pela sociedade.
Outro ponto crucial: o voto deveria ser facultativo. O voto voluntário representa qualidade, manifestação consciente do cidadão. Já o voto obrigatório, típico de regimes pouco democráticos, tem sido responsável pela eleição e reeleição de quadros políticos sofríveis, incompetentes e corruptos. O eleitor, obrigado a votar, acaba escolhendo qualquer candidato medíocre — e exemplos não faltam, como o caso de Tiririca.
sexta-feira, 11 de setembro de 2026
Brasil refém de políticos incompetentes e imorais
O jurista Marcelo Uchoa cobrou responsabilidade moral de Flávio Bolsonaro após a investigação sobre o filme Dark Horse. Nesta sexta-feira (11), afirmou que as suspeitas apuradas pela Polícia Federal envolvendo o senador devem ser consideradas pelo eleitorado na avaliação de sua candidatura.
Moral, porém, é justamente o que falta a Flávio Bolsonaro. Sua trajetória política é marcada por contradições e pela incapacidade de assumir responsabilidades. Envolvido em práticas questionáveis, ainda tem a ousadia de se apresentar como aspirante à Presidência da República.
O Brasil sofre com a baixa qualidade de seus representantes. Muitos não ingressam na vida pública para servir ao país, mas para se beneficiar do cargo — seja transformando-o em cabide de empregos, seja para atender interesses pessoais e familiares. Nesse contexto, destaca-se a família Bolsonaro, que há anos usufrui das benesses do poder.
É constrangedor, por exemplo, ver figuras como Renan Bolsonaro, vereador em Balneário Camboriú, politicamente e culturalmente despreparado, agora candidato a deputado federal por Santa Catarina. Soma-se a isso a candidatura de Michelle Bolsonaro ao Senado pelo Distrito Federal e de Carlos Bolsonaro ao Senado por Santa Catarina, reforçando a lógica de poder como herança familiar.
O país precisa discutir seriamente a implantação do voto facultativo. O voto obrigatório tem contribuído para a perpetuação de um quadro político sofrível, em que candidatos sem preparo ou compromisso com a sociedade encontram espaço para se eleger. Experiências internacionais mostram que o voto facultativo pode estimular maior consciência política, ao permitir que apenas os cidadãos realmente interessados participem do processo eleitoral.
Não tenho lado partidário. Defendo apenas um Brasil decente, com instituições sólidas e sem a corrosiva polarização que ultimamente tem marcado nossa vida pública. O futuro do país depende de uma cidadania ativa e de representantes comprometidos com o bem comum, não com projetos pessoais ou familiares.
segunda-feira, 7 de setembro de 2026
A LIBERDADE DE ESCOLHA É LIVRE, MAS O BRASIL PRECISA ELEGER ALGUÉM SEM VÍCIOS, SEM PASSADO MACULADO
A liberdade de manifestação é plena em um Estado Democrático: você pode declarar apoio até a um poste, ao Macaco Tião, a um rinoceronte ou a um Tiririca. Contudo, apenas os ignóbeis se prestam a votar em um elemento sem propostas, fanfarrão, que surfa no mome do pai, atualmente preso, enredado com Vorcaro. Se não gosta de Lula ou de Bolsonaro, anule seu voto. Mas, se deseja dar uma verdadeira chance ao Brasil, escolha alguém sem vícios, sem passado maculado: Augusto Cury.
domingo, 6 de setembro de 2026
Oportunismo político nos tribunais de contas - TCU
O senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) foi aprovado pelo Congresso Nacional, em setembro de 2026, para assumir o cargo de ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), após a renúncia do ministro Bruno Dantas. Mais uma vez, a imoralidade prevalece: sem concurso público, um político recebe como prêmio um emprego vitalício e bem remunerado.
A falta de escrúpulo no meio político é uma realidade absurda, que envergonha a nação. Trata-se de um senador que aparenta seriedade com os valores da Repúbica, mas revela postura questionável ao usar a polítiica como meio para obter um cabide de emprego vitalício sem concurso no TCU.
É lamentável que o TCU continue funcionando como refúgio para políticos, em vez de ser ocupado apenas por especialistas concursados em análise de contas públicas, como ocorre no Banco Central e na Receita Federal.
Por que a PEC 50/2024, do senador Cleitinho (Republicanos-MG) e outros, que moraliza a escolha dos membros do TCU, permanenece parada na CCJ do Senado desde dezembro de 2024?
Respeitadas as raras exceções, o Congresso está longe de representar os anseios sociais de ver o país moralizado e a Constituição corrigida em suas incoerências. Votar em políticos, nesse contexto, parece perda de tempo: só serve para garantir empregos para eles.
A aceitação de cargos vitalícios nos tribunais de contas evidencia a falta de compromisso ético de muitos políticos brasileiros, num país onde se elege para tirar proveito da coisa pública.
Essa pouca-vergonha persiste por culpa da maioria da população, que se mostra omissa e desinteressada em conhecer o mau comportamento de seus representantes no Legislativo, os quais não primam pela moralidade das instituições púbicas nacionais.