quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Do Maranhão ao Brasil: quando a política se perde em nichos religiosos


A recente aprovação pela Câmara dos Deputados do projeto que institui a Semana Nacional de Retiros Culturais, de autoria da senadora Eliziane Gama, reacende um debate necessário sobre o papel do Congresso e suas prioridades. A proposta, que segue para sanção presidencial, oficializa no calendário brasileiro eventos religiosos realizados durante o Carnaval, prática já consolidada entre fiéis evangélicos. 

Embora a iniciativa seja apresentada como reconhecimento cultural e religioso, ela levanta preocupações legítimas. O Brasil é um país plural, laico e diverso, e o Congresso não deve se converter em representante de bandeiras religiosas específicas. A oficialização de retiros pode abrir espaço para demandas de apoio logístico e financeiro, transformando celebrações particulares em nichos de aplicação de recursos públicos. 

É preciso lembrar que o Parlamento existe para legislar em favor de causas universais e urgentes: educação, saúde, segurança, combate à miséria e redução das desigualdades. Quando parlamentares dedicam tempo e energia a projetos de alcance restrito, deixam de enfrentar os problemas estruturais que afetam milhões de brasileiros. 

No caso do Maranhão, estado da própria senadora, os desafios sociais são profundos e exigem políticas públicas consistentes. A insistência em pautas religiosas, ainda que legítimas para determinados grupos, revela desconexão com as prioridades reais da sociedade. A política não pode se reduzir a atender demandas de segmentos específicos em detrimento do coletivo. 

A oficialização da Semana Nacional de Retiros Culturais pode até agradar parte do eleitorado evangélico, mas não responde às necessidades mais urgentes da população. O Congresso deve ser guardião de causas nobres e estruturantes, não palco de disputas confessionais. A laicidade do Estado é um princípio constitucional que precisa ser respeitado e reafirmado. 

Em vez de concentrar esforços em pautas urgentes que impactam diretamente a coletividade — como saúde, educação, segurança e combate às desigualdades — a senadora Eliziane Gama dedica tempo, dinheiro público e energia a iniciativas de alcance restrito e pouco relevante para os graves problemas sociais que assolam o Maranhão e o país. Essa postura revela fragilidade política e falta de compromisso com as demandas mais prementes da população. O Maranhão vai de mal a pior com a qualidade sofrível de seus políticos. 

 

Não é difícil imaginar que uma parlamentar com esse perfil consiga renovar seu mandato, já que o eleitorado tende a exigir representantes mais preparados e comprometidos com causas de impacto coletivo. 


terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

O Congresso e o papel que não cumpre


Um contraponto ao discurso de Davi Alcolumbre 
Na abertura dos trabalhos legislativos, o senador Davi Alcolumbre afirmou que o Congresso Nacional “sabe exatamente o seu papel”. A frase soa bem em um discurso oficial, mas não resiste ao confronto com a realidade. O Parlamento brasileiro, em vez de se dedicar a corrigir distorções constitucionais e enfrentar privilégios históricos, tem se mostrado mais atento à preservação de interesses políticos e fisiológicos do que ao atendimento das demandas coletivas. 
O que o Congresso evita enfrentar 
O contraste com o discurso oficial 
Quando o senador afirma que o Congresso “sabe exatamente o seu papel”, a prática mostra outra coisa: sabe, sim, como proteger privilégios, blindar aliados e evitar reformas que poderiam aproximar os parlamentares da realidade vivida por qualquer trabalhador brasileiro. O papel constitucional de legislar em favor da coletividade é substituído por um papel de autopreservação. 
O que seria cumprir o verdadeiro papel 
Cumprir o papel do Congresso significaria: 
Conclusão 
O Congresso não cumpre o papel que o senador Davi Alcolumbre proclama. Cumpre, sim, o papel de manter privilégios e evitar reformas que poderiam modernizar e moralizar a política brasileira. O verdadeiro papel constitucional — legislar em favor da sociedade e corrigir distorções históricas — continua sendo adiado. 

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

As ruas das cidades escancaram a realidade social brasileira



As ruas das cidades brasileiras escancaram uma realidade dolorosa: pessoas dormem ao relento, sem amparo, expostas à fome e ao frio. Essa cena cotidiana revela o abandono social e a indiferença dos governantes e parlamentares. O Congresso Nacional, que deveria ser a casa do povo, dedica-se quase sempre a pautas de interesse político, ignorando a miséria que se espalha diante de nossos olhos.
O voto, que deveria ser instrumento de transformação, tornou-se no Brasil uma obrigação sem resultados concretos. O sistema de voto obrigatório não produziu, até hoje, efeitos positivos para o futuro da nação. Ele apenas mantém a engrenagem funcionando, mas sem garantir que os eleitos estejam comprometidos com a dignidade humana e com a justiça social.
Nesse contexto, não votar pode ser compreendido como uma forma legítima de protesto. Não se trata de abrir mão da chance de influenciar o futuro, mas de demonstrar insatisfação com um modelo que força a participação sem oferecer alternativas reais de mudança. O voto facultativo daria ao cidadão a liberdade de escolher se deseja ou não participar, e essa liberdade poderia ser um passo para uma democracia mais consciente.
O problema é que, após eleitos, muitos políticos esquecem os eleitores. As promessas de campanha se dissolvem rapidamente, substituídas por interesses próprios, acordos de poder e benefícios particulares. O povo, que deveria ser prioridade, torna-se invisível.
Por isso, votar hoje no Brasil é visto por muitos como perda de tempo. É dar emprego a políticos, enquanto o eleitor continua desempregado e o país não prospera. Essa contradição alimenta a descrença e reforça a ideia de que o voto obrigatório não tem cumprido sua função de promover mudanças reais.
Calejado pela experiência de décadas acompanhando a política nacional, afirmo que não voto mais em político. Mesmo assim, mantenho o direito de contestar qualquer governo ou parlamentar indecoroso, pois sou um pagador de impostos que sustenta os políticos. Esse direito é inalienável e reforça a legitimidade da crítica.
O desafio está em repensar a democracia brasileira. É preciso discutir seriamente o voto facultativo, fortalecer a consciência crítica do eleitor e exigir que os representantes eleitos não se esqueçam de quem os colocou no poder. Só assim poderemos romper com o ciclo de abandono e construir um futuro em que a dignidade humana seja, de fato, prioridade.

Deputados aprovam reajuste salarial "fura-teto constitucional" no salário de servidores da Câmara e do Senado após volta do recesso

No primeiro dia de votação após a retomada dos trabalhos em 2026, a Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira, 3, um projeto de lei que concede reajuste “fura-teto constitucional” no salário de servidores da Casa e outra proposta que estabelece um novo plano de carreira para servidores do Senado, também com reajustes na remuneração. 

Técnicos do União Brasil (um servidor do Banco Central e outro da Receita Federal) estimam impacto orçamentário de pelo menos R$ 800 milhões por ano com as duas proposições. 

Plenário da Câmara: deputados aprovaram reajustes a servidores da Casa e do Senado Foto: Carlos Moura/Agência Senado 

Plenário da Câmara: deputados aprovaram reajustes a servidores da Casa e do Senado Foto: Carlos Moura/Agência Senado 

A votação dessas duas propostas foi definida na reunião de líderes feita na manhã desta terça-feira, 3, e passou também pela aprovação de outro projeto que cria institutos federais de ensino – um deles em Patos (PB), cidade de nascimento e reduto eleitoral de Hugo Motta (Republicanos-PB). 

O primeiro projeto de autoria da Mesa Diretora, presidida Motta, cria Gratificação de Desempenho e Alinhamento Estratégico (GDAE), correspondente ao percentual mínimo de 40% e máximo de 100%, incidentes sobre o maior vencimento básico do respectivo cargo efetivo ocupado pelo servidor. 

Essa gratificação concede um dia de licença para cada três dias de trabalho. Essa concessão pode ser feita por até dez vezes por mês, com possibilidade de um recebimento em dinheiro em vez da licença. Com isso, o salário de altos funcionários da Câmara pode chegar a aproximadamente R$ 77 mil – casos dos consultores do último nível de carreira, chefes de gabinete de liderança e do secretário-geral da Mesa. 

O teto constitucional, que deveria ser o limite de recebimento de um funcionário público, é o salário de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF): R$ 46.366,19. O texto ainda será apreciado pelo Senado. 

Fonte: Estadão.

CONSIDERAÇÕES

O país é saqueado por políticos que ignoram os gastos públicos e as regras fiscais. Num Congresso repleto de nulidades, sem qualquer exemplo de austeridade, a pobreza crônica se perpetua.

Votar nessa corja é perda de tempo: é sustentar políticos sacripantas e manter o Brasil estagnado. A Polícia deveria prender a maioria desses parlamentares, com raras exceções.

O Brasil avança graças às suas riquezas naturais e ao talento de empresários competentes. Mas poderia prosperar muito mais se o Congresso fosse composto por políticos sérios, voltados ao desenvolvimento nacional e à aprovação de leis necessárias.

A irresponsabilidade do presidente da Câmara é evidente: aprovou reajustes salariais que, em alguns casos, ultrapassam o teto constitucional — uma vergonha. Além disso, criou novos institutos federais, incluindo um em Patos–PB, reduto eleitoral de Hugo Motta.

O presidente Lula deveria vetar os reajustes que desrespeitam o teto constitucional.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

O Impacto dos Robôs na Saúde Humana

 

O Impacto dos Robôs na Saúde Humana

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Avanços Tecnológicos no Setor de Saúde

Nos últimos anos, a tecnologia tem transformado diversos setores, e a saúde não é exceção. Robôs cirúrgicos, dispositivos de monitoramento remoto e inteligência artificial estão revolucionando a forma como tratamentos e diagnósticos são realizados. Com a introdução de robôs cirúrgicos, como o Da Vinci, procedimentos complexos se tornaram menos invasivos, resultando em recuperações mais rápidas e riscos reduzidos para os pacientes. Além disso, robôs de assistência têm se mostrado fundamentais em hospitais, auxiliando no transporte de medicamentos e suprimentos, liberando assim a equipe médica para focar em tarefas mais críticas.

Inteligência Artificial na Prevenção de Doenças

A inteligência artificial (IA) está desempenhando um papel essencial na prevenção de doenças. Sistemas baseados em IA podem analisar grandes volumes de dados médicos para identificar padrões e prever surtos de doenças antes que se tornem uma ameaça significativa. Além disso, a IA está sendo utilizada para personalizar planos de tratamento, levando em consideração o histórico médico individual e características genéticas dos pacientes. Essa abordagem personalizada promete aumentar a eficácia dos tratamentos, ao mesmo tempo que minimiza efeitos colaterais.

Robôs na Reabilitação Física

Outro campo onde os robôs têm feito uma diferença notável é na reabilitação física. Exoesqueletos robóticos estão sendo usados para ajudar pacientes a recuperar movimentos após lesões graves ou acidentes vasculares cerebrais. Esses dispositivos permitem que os pacientes pratiquem movimentos repetitivos essenciais para a recuperação, ao mesmo tempo em que são monitorados de perto por fisioterapeutas. Além disso, a utilização de robôs na terapia de reabilitação pode resultar em tratamentos mais consistentes e eficientes, acelerando o processo de recuperação.

Telemedicina e Robótica

A telemedicina, combinada com a robótica, está ampliando o acesso aos cuidados de saúde, especialmente em áreas remotas. Dispositivos robóticos controlados remotamente permitem que médicos realizem consultas e até cirurgias à distância. Isso não apenas melhora a acessibilidade aos serviços médicos, mas também oferece uma alternativa viável durante emergências onde o transporte de pacientes seria inviável. Nesse contexto, https://rdjdb.com.br/resultados-paraiba-pb pode oferecer informações adicionais sobre a implementação de tecnologias de saúde em locais específicos.

Desafios Éticos e de Privacidade

Apesar dos benefícios trazidos pelos robôs na saúde, existem preocupações éticas e de privacidade que não podem ser ignoradas. A coleta e o uso de dados pessoais por sistemas de IA levantam questões sobre quem tem acesso a essas informações e como elas são protegidas. Além disso, a automação crescente de tarefas médicas pode levar a uma dependência excessiva da tecnologia, levantando questões sobre a responsabilidade em caso de falhas. É crucial estabelecer regulamentações claras para garantir que a inovação tecnológica no setor de saúde seja conduzida de maneira ética e segura.

O Futuro da Assistência Médica com Robôs

O futuro da assistência médica é promissor, com os robôs desempenhando um papel central na transformação dos cuidados de saúde. Com o avanço contínuo da tecnologia, podemos esperar melhorias ainda maiores na precisão dos diagnósticos, eficácia dos tratamentos e acessibilidade aos serviços de saúde. No entanto, para garantir que esses avanços beneficiem a sociedade como um todo, é essencial abordar os desafios éticos e assegurar que a tecnologia seja utilizada de maneira responsável e segura. A colaboração entre profissionais de saúde, engenheiros e legisladores será fundamental para moldar um futuro onde a tecnologia e a humanidade trabalhem juntas para melhorar a qualidade de vida.

Considerações

Não tem volta. Este é caminho da medicina mundial. No Brasil, vai substituir com eficiência muitos médicos incompetentes formados na rede mercantilista de faculdades de medicina: 30% dos cursos de medicina não alcançaran desempenho satisfatório. Além disso, 99 dos cursos do Sistema Federal de Ensino ficaram nas faixas mais baixas do Conceito Enadam, a abaixo do nível mínimo exigido.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

FLÁVIO BOLSONARO: UM HERDEIRO SEM PROJETO PARA O BRASIL


O cenário político brasileiro caminha para mais uma disputa presidencial, e o nome de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) surge como provável candidato do Partido Liberal. Contudo, sua candidatura parece frágil e pouco consistente, marcada mais pela herança política do pai, Jair Bolsonaro, do que por realizações próprias. 
Flávio, apelidado de “Rachadinha” pela crítica política, carrega uma reputação comprometida. Denunciado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro sob acusação de liderar esquema de desvio de salários de funcionários da Assembleia Legislativa, teria utilizado sua antiga loja de chocolates para lavar recursos ilícitos. Esse episódio, ainda vivo na memória coletiva, mina qualquer tentativa de consolidar uma imagem de seriedade e compromisso público. 
No campo legislativo, sua trajetória é marcada por proposições pontuais, sem relevância estrutural para o Brasil ou para o Rio de Janeiro. Não há registro de políticas transformadoras ou projetos de impacto nacional que possam credenciá-lo como líder capaz de enfrentar os desafios do país. Sua atuação parlamentar se limita a iniciativas alinhadas ao grupo político que representa, sem demonstrar visão estratégica ou compromisso com a sociedade. 
A única credencial que sustenta sua candidatura é ser herdeiro político de Jair Bolsonaro, que, apesar de manter uma base fiel, não alcança a maioria do eleitorado nacional. Se Flávio for considerado o adversário mais forte contra o presidente Lula, até mesmo eleitores sem simpatia pelo atual presidente podem ser levados a acreditar em uma vitória de Lula já no primeiro turno. 
O Brasil precisa de líderes com trajetória profissional sólida, experiência administrativa e propostas concretas para enfrentar problemas estruturais como desigualdade, educação, saúde e desenvolvimento econômico. Flávio Bolsonaro, até aqui, não apresenta nenhum desses atributos. Sua candidatura, portanto, revela-se como mais um exercício de poder familiar, sem projeto real para o país. 

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Igualdade de Direitos e o Debate sobre Cotas Raciais em Santa Catarina


Sem escolas públicas fortes, cotas raciais perpetuam desigualdades em vez de garantir justiça social. 

A recente sanção da lei que proíbe cotas raciais em universidades de Santa Catarina reacende um debate que há anos divide opiniões no Brasil. Trata-se de uma questão delicada, que envolve princípios constitucionais, justiça social e políticas públicas voltadas à inclusão. 

Minha posição é clara: sempre fui contrário às cotas raciais, seja em universidades ou em qualquer outro segmento. O motivo é simples e está amparado no artigo 5º da Constituição Federal, que garante a todos os cidadãos igualdade de direitos. Criar distinções com base na cor da pele, ainda que sob a justificativa de reparar desigualdades históricas, fere esse princípio fundamental. 

O argumento de que as cotas seriam uma forma de compensar a “dívida” da sociedade com os negros, herdada do período da escravidão, parece frágil e frequentemente utilizado como bandeira política por governos de viés popular ou de esquerda. A verdadeira dívida que o Brasil carrega não é racial, mas educacional. O país falhou em oferecer escolas públicas de qualidade, capazes de nivelar os indivíduos em conhecimento e prepará-los para disputar, em condições justas, vagas em universidades ou cargos em concursos públicos. 

O que precisamos é de um sistema educacional sólido e acessível a todos — pretos, brancos, indígenas, pardos — sem distinção. Somente assim será possível garantir que o mérito prevaleça, permitindo que os mais aplicados alcancem os patamares sociais desejados. Não é justo que um candidato com melhor desempenho seja preterido em favor de outro com notas inferiores, apenas por critérios raciais. 

Essa lógica se aplica não apenas ao ingresso nas universidades, mas também aos concursos públicos. A consolidação das cotas como regra, embora defendida por muitos, representa uma distorção do princípio da igualdade. Em vez de promover justiça, cria novas formas de desigualdade, contrariando o espírito da Constituição. 

O caminho para uma sociedade verdadeiramente justa não passa por políticas de segregação disfarçadas de inclusão, mas por investimentos sérios e contínuos na educação pública. É nesse campo que o Brasil precisa saldar sua dívida histórica.