quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026
O fim da escala 6 x 1: O sonho dos sindicalistas, o pesadelo dos empresários
terça-feira, 24 de fevereiro de 2026
Teto constitucional ou balaio de gatunos?
O Congresso Nacional voltou do recesso e, como primeira medida, aprovou reajustes salariais para servidores da Câmara e do Senado que ultrapassam o teto constitucional. Para nós, contribuintes obrigados a pagar a conta, é impossível não nos indignarmos diante da falta de vergonha e da injustiça contra brasileiros que não tiveram a sorte de ser políticos ou servidores graduados.
O teto constitucional, fixado em R$ 46.366,19 — correspondente ao subsídio de um ministro do Supremo Tribunal Federal — deveria ser o limite máximo da remuneração no serviço público. Mas, na prática, não é respeitado.
O descalabro dos penduricalhos
O Judiciário é exemplo de como se dribla a regra. Auxílios, gratificações e adicionais são classificados como “indenizações” e, portanto, não entram no cálculo do teto. Resultado: vencimentos que ultrapassam bastante o limite constitucional.
Recentemente, STF e Congresso discutiram regras de transição para limitar esses pagamentos. Ora, não deveria haver transição: se há extrapolação, que seja interrompida imediatamente. Ministros como Gilmar Mendes e Flávio Dino já determinaram a suspensão de penduricalhos sem previsão legal, mas a prática continua.
O que a Constituição diz
O art. 37, XI, da Constituição Federal fixa o teto remuneratório. No entanto, a própria Carta e leis infraconstitucionais permitem parcelas indenizatórias — como auxílio-moradia, diárias e retroativos — que não são consideradas “remuneração”. Na prática, funcionam como complementos salariais, elevando os ganhos acima do teto.
Ausência de seriedade
O Legislativo claudica ao beneficiar servidores do Congresso. O Executivo desrespeita o teto. O Judiciário, que deveria ser o fiel da balança, também não dá o exemplo.
Minha visão
Qualquer valor pago com dinheiro público que ultrapasse o teto deveria ser cortado. Verbas indenizatórias são, sim, penduricalhos e deveriam ser incluídas no limite. A distinção entre remuneração e indenização é artificial, criada apenas para contornar a regra.
Conclusão
O Legislativo erra, o Executivo desrespeita e o Judiciário se omite. Moral da história: na área pública, ninguém deveria ganhar mais do que R$ 46.366,19, já incluídos todos os adicionais. Mas a realidade mostra o contrário.
Organizações da sociedade civil pediram e o presidente Lula vetou os supersalários aprovados pelo Congresso. Ainda assim, os ladravazes da República devem ser denunciados.
Enquanto o teto constitucional for tratado como piso para privilégios, a República continuará refém dos seus próprios gatunos.
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026
A percepção negativa da sociedade em relação ao STF
- Isso revela ou amplia uma sensação de desconexão: o tribunal estaria agindo ou se expressando de forma que não dialoga com o sentimento social.
- A crítica implícita é que o STF, ao invés de se aproximar da sociedade, estaria reforçando uma imagem de instituição distante, elitizada ou autorreferente.
- A frase não apenas descreve um episódio, mas sugere um problema estrutural: a dificuldade do STF em comunicar suas decisões e posições de modo que sejam compreendidas e legitimadas pela sociedade.
- Pode refletir uma percepção de crise de confiança nas instituições, onde decisões judiciais são vistas como políticas ou desconectadas da realidade cotidiana.
- Toffoli foi obrigado a deixar a relatoria do caso Master após reunião interna no STF, em meio a suspeitas de conexões com o banco investigado.
- Essa saída foi vista como um movimento de bastidores pouco transparente, reforçando a percepção de que ministros atuam em defesa própria ou de interesses próximos, em vez de representar imparcialidade institucional.
- Em plena terça-feira de carnaval, Moraes determinou que a Polícia Federal fosse à casa de quatro servidores da Receita e do Serpro, acusados de acessar dados ligados ao caso.
- A medida foi considerada por muitos como excessiva e autoritária, ampliando a crítica de que o STF age de forma punitiva contra quem expõe informações sensíveis sobre ministros.
- Ambos reagiram em sessões do STF contra pressões externas, inclusive diante de pedidos de impeachment e da discussão sobre um código de ética específico para ministros.
- Toffoli foi criticado por viagens em jatinhos de advogados ligados ao banco e por relações com resorts associados ao Master. Moraes, por sua vez, foi acusado de usar o inquérito das fake news para perseguir auditores da Receita em causa própria.
- Essas atitudes foram interpretadas como reações defensivas e corporativas, em vez de demonstrações de transparência e responsabilidade.
- O resultado é um aumento da crise de credibilidade do STF, com a sociedade percebendo que ministros se protegem mutuamente e se distanciam das expectativas de imparcialidade.
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026
Prisão Perpétua no Brasil: Um Debate Urgente Sobre Justiça e Dignidade
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026
Justiça que tarda é Justiça falha: o caso Sérgio Cabral é uma vergonha nacional
- A morosidade processual: uma vergonha nacional, processos que se arrastam por anos, sem decisão definitiva, corroem a credibilidade da Justiça e transmitem à sociedade a sensação de impunidade.
- A multiplicidade de recursos: o sistema judicial brasileiro permite uma infinidade de instâncias recursais, transformando o processo em um campo fértil para a procrastinação jurídica. Escritórios de advocacia especializados nesse tipo de manobra lucram com a demora, enquanto o cidadão comum assiste, perplexo, à lentidão da Justiça.
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026
Do Maranhão ao Brasil: quando a política se perde em nichos religiosos
A recente aprovação pela Câmara dos Deputados do projeto que institui a Semana Nacional de Retiros Culturais, de autoria da senadora Eliziane Gama, reacende um debate necessário sobre o papel do Congresso e suas prioridades. A proposta, que segue para sanção presidencial, oficializa no calendário brasileiro eventos religiosos realizados durante o Carnaval, prática já consolidada entre fiéis evangélicos.
Embora a iniciativa seja apresentada como reconhecimento cultural e religioso, ela levanta preocupações legítimas. O Brasil é um país plural, laico e diverso, e o Congresso não deve se converter em representante de bandeiras religiosas específicas. A oficialização de retiros pode abrir espaço para demandas de apoio logístico e financeiro, transformando celebrações particulares em nichos de aplicação de recursos públicos.
É preciso lembrar que o Parlamento existe para legislar em favor de causas universais e urgentes: educação, saúde, segurança, combate à miséria e redução das desigualdades. Quando parlamentares dedicam tempo e energia a projetos de alcance restrito, deixam de enfrentar os problemas estruturais que afetam milhões de brasileiros.
No caso do Maranhão, estado da própria senadora, os desafios sociais são profundos e exigem políticas públicas consistentes. A insistência em pautas religiosas, ainda que legítimas para determinados grupos, revela desconexão com as prioridades reais da sociedade. A política não pode se reduzir a atender demandas de segmentos específicos em detrimento do coletivo.
A oficialização da Semana Nacional de Retiros Culturais pode até agradar parte do eleitorado evangélico, mas não responde às necessidades mais urgentes da população. O Congresso deve ser guardião de causas nobres e estruturantes, não palco de disputas confessionais. A laicidade do Estado é um princípio constitucional que precisa ser respeitado e reafirmado.
Em vez de concentrar esforços em pautas urgentes que impactam diretamente a coletividade — como saúde, educação, segurança e combate às desigualdades — a senadora Eliziane Gama dedica tempo, dinheiro público e energia a iniciativas de alcance restrito e pouco relevante para os graves problemas sociais que assolam o Maranhão e o país. Essa postura revela fragilidade política e falta de compromisso com as demandas mais prementes da população. O Maranhão vai de mal a pior com a qualidade sofrível de seus políticos.
Não é difícil imaginar que uma parlamentar com esse perfil consiga renovar seu mandato, já que o eleitorado tende a exigir representantes mais preparados e comprometidos com causas de impacto coletivo.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2026
O Congresso e o papel que não cumpre
- Indicação política ao STF: persiste o modelo em que o presidente da República escolhe ministros do Supremo Tribunal Federal com base em critérios políticos. O correto seria que os membros viessem exclusivamente da carreira da magistratura, garantindo independência e técnica.
- Reformas estruturais ignoradas: não há avanço em pautas como a extinção do voto obrigatório, a redução do número de parlamentares, o fim da figura do suplente de senador ou da reeleição política.
- Mandatos e privilégios: permanece intocado o modelo que permite mandatos desiguais, uso de carros oficiais, moradias funcionais e cotas parlamentares que extrapolam o necessário para o exercício do mandato.
- Serviços a ex-presidentes: continuam os benefícios perenes, inclusive para cassados, com duração de até cinco anos. Esses privilégios deveriam ser extintos, pois não se justificam em uma República que preza pela igualdade.
- Gestão de recursos públicos: não se discute seriamente a substituição de assessores comissionados por servidores concursados, nem a extinção do cartão corporativo parlamentar.
- Controle externo: os tribunais de contas continuam sujeitos a indicações políticas, em vez de serem ocupados exclusivamente por auditores concursados, o que compromete a fiscalização do dinheiro público.
- Respeito ao eleitor: parlamentares ainda podem interromper seus mandatos para assumir cargos em governos, desconsiderando o voto recebido.
- Moralidade eleitoral: não há exigência de vínculo real entre domicílio civil e domicílio eleitoral, permitindo candidaturas artificiais em locais sem laços sociais ou comunitários.
- Aprovar medidas que eliminem privilégios e mordomias.
- Garantir que parlamentares sejam tratados como servidores públicos comuns, com regras claras e custos arcados por eles próprios.
- Fortalecer instituições de controle, como TCU e TCE, para acompanhar o dinheiro público do início ao fim.
- Respeitar o voto do eleitor, impedindo que mandatos sejam usados como trampolim para cargos no Executivo.
- Estabelecer regras eleitorais que reforcem a moralidade e a impessoalidade previstas na Constituição, ou seja, que o domicílio eleitoral corresponda ao domicílio civil, para evitar a transferência do título eleitoral apenas por conveniência.
- Corrigir distorções como a indicação política dos membros do STF pelo presidente da República e os benefícios indevidos a ex-presidentes, inclusive os cassados e presos.