terça-feira, 5 de maio de 2026
A derrota que expôs a imoralidade das indicações ao STF
sexta-feira, 1 de maio de 2026
A derrubada do veto presidencial: espetáculo de democratas hipócritas
A democracia brasileira exige respeito às instituições e às decisões da Suprema Corte. Quando o Congresso, movido por interesses políticos, decide descumprir a dosimetria imposta pelo STF e cria regras retroativas para beneficiar transgressores da pátria — entre eles Jair Bolsonaro —, institucionaliza-se o desrespeito às decisões judiciais, abrindo caminho para um estado de desordem institucional.
Esse precedente é perigoso: se o Congresso pode, por conveniência, derrubar um veto presidencial e reescrever sentenças já transitadas em julgado, a porta da imoralidade fica escancarada. O caos político passa a ser liderado por falsos mandarins que se apresentam como defensores da República, mas agem em flagrante desprezo às regras democráticas.
A fala do presidente da Câmara, Hugo Motta, ao considerar a articulação do deputado Paulinho da Força uma “construção política possível”, é sintomática e causa perplexidade pelo tamanho desprezo às regras democráticas. Favorecer condenados pelo 8 de janeiro — entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro e militares de alta patente como Almir Garnier, Paulo Sérgio Nogueira, Walter Braga Netto e Augusto Heleno — não é construção política, mas demolição.
No Senado, o presidente Davi Alcolumbre, demonstrando descompromisso com os valores da República, reforça esse movimento conduzindo a derrubada do veto presidencial com espírito revanchista, como se fosse um sumo potentado. O veto, por sua vez, foi um ato de responsabilidade: o projeto de lei é inconstitucional e viola a separação dos poderes ao desrespeitar decisões definitivas da Suprema Corte.
Se a lógica for descumprir decisões judiciais, que se aplique o mesmo critério a todos os presos do país. Afinal, a Constituição consagra o princípio da igualdade, e não há espaço para privilégios seletivos.
Com a derrubada do veto, caberá ao STF reafirmar a Constituição e declarar a inconstitucionalidade da medida. Não se trata apenas de corrigir um desvio legislativo, mas de preservar o núcleo duro da República: a separação dos poderes e o respeito às decisões judiciais. Democracia não se negocia, não se relativiza e não se curva a conveniências políticas. É o alicerce que sustenta a igualdade e a justiça — e sem ele, o país mergulha no caos institucional. Cabe também ao eleitor exercer sua responsabilidade democrática: banir da reeleição os políticos que votaram pela derrubada do veto presidencial, pois quem despreza a Constituição não pode ser reconduzido para defendê-la.
quarta-feira, 29 de abril de 2026
Pesquisas eleitorais: instrumento de manipulação ou de democracia? Eis a questão
Os institutos de pesquisa eleitoral, longe de fortalecer a democracia, muitas vezes acabam por fragilizá-la. Em vez de oferecer um retrato fiel da realidade, funcionam como ferramentas encomendadas para produzir resultados previamente esperados, em benefício deste ou daquele candidato. Os levantamentos são realizados em redutos escolhidos a dedo, o que compromete a credibilidade dos números divulgados.
Grande parte das pessoas entrevistadas está distante dos problemas sociais mais urgentes. Jovens e idosos pouco engajados, ou já alinhados a partidos específicos, tendem a responder de acordo com suas preferências pessoais, e não com uma análise crítica da conjuntura. O resultado é um efeito cascata: pesquisas que induzem o eleitorado a votar nos candidatos mais bem posicionados, criando uma falsa sensação de consenso.
A imprensa, em vez de amplificar esses números, deveria assumir um papel mais pedagógico e informativo. O eleitor precisa conhecer a trajetória dos candidatos: sua vida pregressa, sua conduta moral, sua formação cultural e profissional, os serviços prestados à sociedade. É esse conjunto de informações que realmente permite uma escolha consciente, e não estatísticas manipuladas por institutos diversos.
Vejam, por exemplo, a divulgação da pesquisa da AtlasIntel sobre intenções de voto de Lula e Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno. Muitos sequer conheciam esse instituto, mas seus números ganharam manchetes. Além disso, proliferam simulações com candidatos sem representatividade, que apenas confundem o eleitor e alimentam o mercado de notícias. No Brasil, tais práticas deveriam ser seriamente repensadas — se não proibidas, ao menos reguladas com rigor.
Vale lembrar que esse modelo de pesquisa é importado, sobretudo dos Estados Unidos, mas aqui se distancia ainda mais da realidade. Uma pesquisa verdadeiramente útil seria aquela voltada para ouvir a população sobre temas estruturais: o sistema político, a insegurança pública, a qualidade da educação, o funcionamento do sistema de saúde, o desemprego, a falta de habitação digna, a precariedade da infraestrutura urbana. Questões como o saneamento básico, o controle de natalidade para prevenir a proliferação de crianças em redutos de extrema indigência, e o impacto da pobreza extrema na formação de futuras gerações deveriam ser objeto de debate nacional.
Em vez disso, o que se vê são levantamentos superficiais, que reduzem a democracia a uma corrida de cavalos. Pesquisas eleitorais, da forma como são conduzidas hoje, não esclarecem: confundem. Não informam: manipulam. E, sobretudo, não fortalecem a democracia — antes a enfraquecem, transformando o voto em reflexo de estatísticas enviesadas, e não em expressão consciente da cidadania.
A bem da democracia e da transparência, deveria ser proibida a divulgação de pesquisa eleitoral, principalmente nos períodos próximos às eleições.
domingo, 26 de abril de 2026
Absurdo: parlamentares querem censurar críticas a Israel
quarta-feira, 22 de abril de 2026
Generosidade oficial às custas do empregador
Um empresário chinês comentou sobre o Brasil: “O chinês quer trabalhar, enquanto o brasileiro quer direitos.” Afirmação, ainda que simplista revela diferenças culturais: na China, longas jornadas com foco intenso na produtividade; no Brasil, apenas conquistas trabalhistas, sem priorizar a produtividade, como se o empregador fosse vilão da relação emprego e trabalho.
Essa visão ganha relevância diante da proposta governamental de mudar a escala 6x1 para 5x2. Se aprovada, o cenário pode se agravar: num mercado já caótico, pode haver desemprego, com redução do quadro de funcionários, aumento de preços, e até levar o Estado a usar dinheiro público (dos contribuintes) para cobrir prejuízos.
Relações de trabalho deveriam ser definidas entre empregador e empregado sem interferência estatal ou de sindicatos. Se ambos aceitam um contrato, é porque está bom para todos os lados. Assim, quem deve definir jornada e horários são as partes interessadas, e não o governo.
O país precisa de mais gente produzindo riquezas para sustentar suas necessidades. Alterar a jornada é usar benefícios eleitorais às custas da sociedade. O que fortalece as relações familiares, preserva a saúde e eleva a produtividade é a segurança do trabalhador saber que está empregado e contribuindo para o sustento de sua família. O trabalho dignifica o indivíduo e o integra ao meio social. Já o desemprego é um verdadeiro flagelo.
Parlamentares que defendem a mudança buscam votos para suas reeleições, mas prejudicam quem sustenta o país. A Constituição de 1988 fixou 44 horas semanais como marco civilizatório. Muitos constituintes, inclusive figuras como Lula, participaram desse consenso. Alterar agora regras por conveniência política ameaça a estabilidade jurídica e abre precedente perigoso. Pretender agradar trabalhadores em período eleitoral não é decente, não é republicano. Tais parlamentares vivem das benesses públicas, custeadas pelos contribuintes, trabalham pouco e descansam mais do que produzem. Agora, tentam transferir para a iniciativa privada os males e ineficiências do próprio Congresso Nacional.
O argumento oficial de que a redução da jornada poderia gerar novos empregos e melhorar a produtividade compensando custos — é apenas uma aposta, não uma garantia.
Em resumo: mudar a jornada fragiliza empregos e a economia. O crescimento depende da liberdade de negociação e da valorização do trabalho. Se cada governo alterar a Constituição para atender interesses políticos imediatos, ela perde a força como pacto duradouro da sociedade.
terça-feira, 21 de abril de 2026
Para reflexão política e da sociedade: indicação dos membros do STF
A moralização, ou limpeza do STF, passa pela mudança de critério contitucional que autoriza o presidente da República escolher os ministros da Corte. É necessário mudar esse critério.
A escolha deveria ser restrita a magistrados de carreira, sem interferência do Presidente da República, selecionados por mérito comprovado, com base em critérios objetivos e transparentes. Assim, o STF se tornaria uma extensão natural da magistratura, e não um espaço de barganha política. Além disso, a adoção de mandatos fixos de dez ou quinze anos, sem possibilidade de recondução, garantiria renovação periódica e reduziria a tentação de agradar quem os indicou ou de se alinhar a interesses futuros.