domingo, 26 de abril de 2026

Absurdo: parlamentares querem censurar críticas a Israel


O Brasil atravessa um momento delicado, marcado por miséria crescente, desemprego alarmante e insegurança pública que corrói o cotidiano da sociedade. Em vez de se debruçar sobre esses problemas urgentes, alguns parlamentares parecem preferir legislar sobre temas completamente alheios às necessidades nacionais. A proposta de classificar como antissemitas aqueles que criticam Israel é um exemplo gritante dessa desconexão. Trata-se de um absurdo institucionalizado, fruto da insensatez política e da falta de compromisso com a coletividade. 
Mais grave ainda é que essa iniciativa se insere em um contexto em que vozes de grupos que se consideram “politicamente corretos” tentam impor regras absurdas. Hoje, qualquer manifestação crítica corre o risco de ser tachada de preconceito racial, misoginia, assédio sexual ou outras aberrações. O ambiente público está se tornando sufocante: não se pode mais externar opiniões sem o risco de ser mal interpretado por grupos que se dizem melindrados com tudo. Esse excesso de “mimimi” transforma o debate democrático em um campo minado, onde até a crítica responsável a um país é vista como crime. 
Ora, se um cidadão não é simpatizante deste ou daquele governo estrangeiro, por que não pode, com responsabilidade, expressar sua crítica? Confundir divergência de opinião e política com preconceito ou antissemetismo é um desvio perigoso e autoritário. A liberdade de expressão é um direito constitucional, pilar da democracia, e não pode ser restringida por caprichos ideológicos ou por pressões de grupos que se autoproclamam guardiões da moral. 
Enquanto a fome, a desigualdade e a violência clamam por soluções, nossos parlamentares preferem se ocupar com projetos artificiais e desconectados da vida nacional. Como disse Nelson Rodrigues, com seu sarcasmo certeiro: “Não existe político doce.” O que vemos é a tentativa de impor uma mordaça, de transformar divergência em crime, de sufocar o debate público. 
A sociedade não pode aceitar essa palhaçada.Democracia não é unanimidade, é pluralidade de vozes. O cidadão não pode ser amordaçado no seu direito de se manifestar. O que precisamos é de representantes que enfrentam os problemas reais, não de legisladores que buscam relevância em pautas artificiais e desconectadas da vida nacional.
O Brasil precisa de soluções concretas para os seus problemas, não de censura. Criminalizar a crítica é um retrocesso civilizatório. O Parlamento deveria ser o espaço da defesa da liberdade, não da sua restrição. 
Aos signatários desse projeto excrescente, que se esquecem de questões relevantes sociais, lembrem-se de que, nas próximas eleições, cada um de vocês prestará contas à sociedade nas urnas, caso almejem a reeleição. E que proposta absurda como essa em detrimento de pautas relevantes sociais sejam lembradas pelos eleitores.

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Generosidade oficial às custas do empregador

 

Um empresário chinês comentou sobre o Brasil: “O chinês quer trabalhar, enquanto o brasileiro quer direitos.” Afirmação, ainda que simplista revela diferenças culturais: na China, longas jornadas com foco intenso na produtividade; no Brasil, apenas conquistas trabalhistas, sem priorizar a produtividade, como se o empregador fosse vilão da relação emprego e trabalho. 

Essa visão ganha relevância diante da proposta governamental de mudar a escala 6x1 para 5x2. Se aprovada, o cenário pode se agravar: num mercado já caótico, pode haver desemprego, com redução do quadro de funcionários, aumento de preços, e até levar o Estado a usar dinheiro público (dos contribuintes) para cobrir prejuízos. 

Relações de trabalho deveriam ser definidas entre empregador e empregado sem interferência estatal ou de sindicatos. Se ambos aceitam um contrato, é porque está bom para todos os lados. Assim, quem deve definir jornada e horários são as partes interessadas, e não o governo. 

O país precisa de mais gente produzindo riquezas para sustentar suas necessidades. Alterar a jornada é usar benefícios eleitorais às custas da sociedade. O que fortalece as relações familiares, preserva a saúde e eleva a produtividade é a segurança do trabalhador saber que está empregado e contribuindo para o sustento de sua família. O trabalho dignifica o indivíduo e o integra ao meio social. Já o desemprego é um verdadeiro flagelo. 

Parlamentares que defendem a mudança buscam votos para suas reeleições, mas prejudicam quem sustenta o país. A Constituição de 1988 fixou 44 horas semanais como marco civilizatório. Muitos constituintes, inclusive figuras como Lula, participaram desse consenso. Alterar agora regras por conveniência política ameaça a estabilidade jurídica e abre precedente perigoso. Pretender agradar trabalhadores em período eleitoral não é decente, não é republicano. Tais parlamentares vivem das benesses públicas, custeadas pelos contribuintes, trabalham pouco e descansam mais do que produzem. Agora, tentam transferir para a iniciativa privada os males e ineficiências do próprio Congresso Nacional. 

O argumento oficial de que a redução da jornada poderia gerar novos empregos e melhorar a produtividade compensando custos — é apenas uma aposta, não uma garantia. 

Em resumo: mudar a jornada fragiliza empregos e a economia. O crescimento depende da liberdade de negociação e da valorização do trabalho. Se cada governo alterar a Constituição para atender interesses políticos imediatos, ela perde a força como pacto duradouro da sociedade.

 

terça-feira, 21 de abril de 2026

Para reflexão política e da sociedade: indicação dos membros do STF


A moralização, ou limpeza do STF, passa  pela mudança de critério contitucional que autoriza o presidente da República escolher os ministros da Corte. É necessário mudar esse critério.

A escolha deveria ser restrita a magistrados de carreira, sem interferência do Presidente da República, selecionados por mérito comprovado, com base em critérios objetivos e transparentes. Assim, o STF se tornaria uma extensão natural da magistratura, e não um espaço de barganha política. Além disso, a adoção de mandatos fixos de dez ou quinze anos, sem possibilidade de recondução, garantiria renovação periódica e reduziria a tentação de agradar quem os indicou ou de se alinhar a interesses futuros.

segunda-feira, 20 de abril de 2026

CPI do Crime Organizado: deixou mais perguntas que respostas


A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do crime organizado terminou de forma que deixou mais perguntas do que respostas. A substituição de dois senadores, no último dia de trabalhos, e a ausência de indiciamentos de membros de facções criminosas no relatório que não foi aprovado levantam suspeitas legítimas sobre a condução do processo. Se não havia nada a esconder, por que o governo trabalhou para esvaziar a CPI em sua reta final? 
O arquivamento por votação tendenciosa não apenas depõe contra a República, mas também mina a credibilidade dos próprios instrumentos de investigação parlamentar. Ou se acredita na função das CPIs e CPMIs como mecanismos de fiscalização, ou se revoga sua existência. O meio-termo, em que se cria a aparência de investigação sem resultados concretos, apenas reforça a sensação de que se busca proteger suspeitos de irregularidades. 
Mais intrigante ainda foram as manifestações de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), que reprovaram o resultado da CPI com indignação. Se a Corte se considera de consciência limpa, não deveria temer investigações. O melindre público de ministros como Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, contrastando com a proposta de um código de ética feita por Edson Fachin, sugere uma resistência preocupante à transparência. Afinal, quem não deve não teme. 
O episódio expõe um contorcionismo institucional: de um lado, um governo que atua para neutralizar a CPI; de outro, ministros que se irritam diante da mera possibilidade de serem investigados. O resultado é um vazio político e jurídico, em que a sociedade fica sem respostas e com a sensação de que os mecanismos de controle foram sabotados. 
Se a República deve ser construída sobre pilares de responsabilidade e ética, não pode se dar ao luxo de arquivar investigações por conveniência. O silêncio e o melindre não fortalecem instituições — apenas corroem a confiança pública. 

sexta-feira, 17 de abril de 2026

O Impasse da Pobreza no Brasil


O economista Maílson da Nóbrega afirmou que o partido dos trabalhadores (PT) é uma das causas de o Brasil continuar pobre. Essa observação merece reflexão, sobretudo diante da trajetória de mais de duas décadas em que o partido está à frente do país. 
Apesar do longo período no poder, o PT não conseguiu eliminar nem reduzir de forma significativa a miséria que assola milhões de brasileiros. Basta percorrer estados e municípios, especialmente no interior, para constatar nas ruas e periferias o descaso com os mais vulneráveis. Vinte anos deveriam ter sido suficientes para estruturar políticas sociais capazes de estancar esse quadro caótico, mas o resultado foi um crescimento tímido em áreas fundamentais como emprego e inclusão social.  
O Bolsa Família, frequentemente exaltado como símbolo de compromisso com os pobres, não pode servir de escudo para encobrir falhas estruturais. O programa deveria ter dupla função: garantir assistência imediata e, ao mesmo tempo, estimular a inserção dos beneficiários no mercado formal de trabalho. Sem essa exigência, muitos acabam acomodados, enquanto o governo utilizar o programa como moeda de troca eleitoral.  
Além disso, o PT falhou em promover reformas essenciais e em reduzir o tamanho de um estado paquidérmico, marcado por gastos públicos descontrolados e privilégios que furam o teto constitucional. Em vez de cortar desperdícios e mordomias, preferiu aumentar a carga tributária, penalizando empresas e cidadãos produtivos. A tentativa de tributar grandes fortunas ignora que muitos desses patrimônios foram construídos com trabalho árduo e investimentos arriscados, que já contribuem para a riqueza nacional e para a arrecadação de impostos.  
O problema central não está na falta de recursos, mas na má gestão. O dinheiro público frequentemente não chega ao destino final, sendo desviado por corrupção e emendas parlamentares mal fiscalizadas. Órgãos como o TCU e os TCEs poderiam ter atribuições ampliadas para garantir maior transparência e rastrear o caminho dos recursos.  
Ao não priorizar medidas de correção dos gastos públicos e ao desperdiçar tempo em políticas de confisco tributário, o governo petista mostrou-se incapaz de erradicar a pobreza e de assegurar bem-estar à população mais carente. Nesse sentido, a crítica de Maílson da Nóbrega encontra respaldo: o PT, ao longo de seus anos no poder, revelou-se um gestor público ineficiente, mais preocupado em sustentar sua base eleitoral do que em enfrentar de forma estrutural os problemas sociais do Brasil. Num cenário de desempregos, veja a intempestividade e a medida eleitoreira governista ao enviar ao Congresso projeto para alterar a jornada de trabalho para 5 x 1.  
É fácil o governo pretender agradar os trabalhadores com medidas eleitoreiras. Só que o próprio trabalhador pagará a conta, se ele não for demitido pelas pequenas e médias empresas, porque as grandes empresas podem não demitir, mas trasferirão as despesas pelo dia não trabalhado, aumentando o preço das mercadorias.  
Ainda que fora do contexto, é necessário registrar: o governo petista falhou na condução da política nacional de segurança pública, hoje considerada um dos problemas mais graves do país. 
Não especulo sobre mudanças partidárias no governo. Minha crítica é independente - não alinhada à corrente de direita ou esquerda - e se limita a exigir transparência e responsabilidade na administração pública.

quarta-feira, 15 de abril de 2026

Moraes barra acesso irrestrito de irmão de Michelle à casa de Bolsonaro

 

Certíssimo. Para visitar preso, precisa-se de autorização judicial. Prisão, mesmo domiciliar, não é Casa de Mãe Joana.

terça-feira, 14 de abril de 2026

A Farra das Emendas Parlamentares e a urgência de Reformas Constitucionais


As emendas parlamentares, criadas como instrumento legítimo de participação dos congressistas na definição do orçamento público, transformaram-se em um dos maiores focos de distorção e corrupção na política brasileira. Em vez de atender às necessidades coletivas, muitas vezes são utilizadas como moeda de troca política, fortalecendo currais eleitorais e desviando recursos para fins alheios ao interesse público. Denúncias recorrentes apontam que verbas são direcionadas para shows, festas e até empresas fantasmas, em flagrante desvio de finalidade.
Vejam, recentemente o ministro Flávio Dino do STF intimou o senador Carlos Viana  (Podemos-MG) a dar explicações sobre a destinação de uma emenda de 3,6 milhões de reais ao braço filantrópico do grupo Batista da Lagoinha.
Esse cenário compromete não apenas a eficiência do gasto público, mas também a credibilidade das instituições democráticas. O contribuinte, que deveria ser o beneficiário final, vê seu dinheiro escorrer por ralos de má gestão e corrupção.
A Solução: Supervisão Constitucional pelo TCU e TCEs
Uma saída plausível e necessária seria a alteração das regras constitucionais que regem a execução das emendas parlamentares. O Congresso poderia aprovar uma emenda constitucional que estabelecesse:
Impacto da Reforma
Com tais medidas, o Congresso não apenas reduziria drasticamente os desvios de recursos, mas também fortaleceria a confiança da sociedade nas instituições. O dinheiro público seria aplicado em projetos de impacto social real, e não em práticas clientelistas. Além disso, a supervisão pelos tribunais de contas criaria um mecanismo de freio e contrapeso essencial, equilibrando o poder dos parlamentares com a responsabilidade fiscal.
Conclusão
A farra das emendas parlamentares é um sintoma da fragilidade institucional brasileira. Combatê-la exige coragem política e compromisso com o interesse público. Uma reforma constitucional que submeta a execução das emendas à supervisão rigorosa do TCU e dos TCEs é não apenas plausível, mas urgente. O Congresso tem a oportunidade de transformar um instrumento de corrupção em um verdadeiro motor de desenvolvimento social.