quinta-feira, 11 de junho de 2026

Política não é cabide de emprego: a aventura de Michelle Bolsonaro no Senado


A política deveria ser encarada como missão cívica, não como palco para aventureiros em busca de visibilidade ou de um cabide de emprego. No entanto, o cenário brasileiro insiste em se repetir: figuras sem preparo, sem projeto e sem experiência profissional se lançam em candidaturas parlamentares, sustentadas apenas pelo carisma ou pela associação a nomes já conhecidos. É nesse contexto que surge a provável candidatura de Michelle Bolsonaro ao Senado pelo Distrito Federal. 
Sem formação política ou cultural, sem trajetória pública que a credencie, Michelle Bolsonaro apresenta como único atributo o fato de ser esposa de Jair Bolsonaro. Essa dependência da imagem alheia revela oportunismo e ausência de luz própria. O capital político que se constrói a partir da sombra de outra figura é frágil e pusilânime, incapaz de oferecer propostas consistentes ou visão de país. 
Infelizmente, o retrato da política nacional é povoado por nulidades e oportunistas. Muitos enxergam o Congresso como balcão de negócios ou como alternativa após fracassos na iniciativa privada e em concursos públicos. A candidatura de Michelle Bolsonaro sintetiza esse fenômeno: a transformação da política em vitrine, em vez de espaço de compromisso com o interesse coletivo. 
É legítimo questionar os critérios de acesso à vida parlamentar. O que se espera de um representante público é um conjunto mínimo de atributos: formação educacional sólida, reputação ética e moral ilibada, vivência política e compromisso com a sociedade. Esses requisitos estão ausentes no currículo da ex-primeira-dama. Sua candidatura, portanto, simboliza a banalização da política e a redução do Senado a palco de interesses pessoais. 
A política não é espetáculo nem oportunidade de ascensão individual. É serviço público, exige preparo e responsabilidade. O Congresso Nacional deve ser a casa do povo, não o abrigo de aventureiros. Aos que almejam a vida política, fica o aviso: ela existe para servir à sociedade, não para servir-se dela. 
Diga não aos candidatos oportunistas. Não eleja quem não tem projetos. O Parlamento precisa de políticos sérios e não de aventureiros. 

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Fim da escala 6x1: o empregador não é vilão nem a Constituição é bandeira política

 É difícil não enxergar oportunismo eleitoral no fato de o governo apresentar, em regime de urgência e às vésperas das eleições, um projeto que extingue a escala 6x1 — tida como uma bandeira histórica dos trabalhadores. Após somar mais de 17 anos no poder, por que somente agora essa pauta vem à tona? Parece mais uma cartada de última hora do que um compromisso genuíno.


Parlamentares de esquerda que enxergam a chamada “escala desumana” e retratam o empregador como vilão poderiam observar o exemplo da Havan. Seu fundador iniciou a trajetória como trabalhador comum, sem se queixar das jornadas de serviço. Com esforço e dedicação, alcançou crescimento econômico e hoje se consolidou como um grande gerador de empregos, demonstrando que a disciplina e a perseverança podem transformar realidades.

Não há registros de que seus funcionários reclamem das escalas "desumanas" de trabalho; afinal, eles não são parlamentares, mas trabalhadores que precisam sustentar suas famílias. A Havan demonstra que uma relação equilibrada entre capital e trabalho, voltada para o benefício de todos — empregador e empregado — pode ser bem-sucedida dentro da jornada 6x1. Não há indícios de que a empresa explore seus trabalhadores, nem de que estes se oponham à carga horária.  
O trabalhador, em essência, busca emprego para sustentar sua família, enquanto sindicalistas e parlamentares de viés esquerdista preferem fomentar greves e discursos inflamados nas ruas, incitando ressentimento contra os patrões. Se os trabalhadores da Havan têm tempo para estar com a família, os demais das empresas privadas também têm. Portanto, não é verdadeira a lógica de que o fim da escala 6x1 vai proporcionar maior aproximação familiar e lazer. O que desagrega a família é o desemprego.  
Segundo a Forbes Brasil, micro e pequenos empresários são os mais pressionados pelo fim da escala 6x1, já que terão de manter salários com menos horas trabalhadas, sem margem para contratar novos funcionários. Estudos estimam que o impacto pode chegar a R$ 158 bilhões por ano, afetando diretamente setores de comércio, serviços e pequenas indústrias. Num país marcado por sério déficit de emprego, não faz sentido — senão por viés eleitoreiro — o governo propor alteração constitucional, sendo ele um dos signatários da escala consagrada e que vem funcionando bem.  
É perfeitamente democrático que a jornada de trabalho na iniciativa privada seja uma prerrogativa do empregador e do trabalhador, não do Estado ou dos sindicatos. O resultado desse embate ideológico é preocupante: os micro e pequenos empreendedores não suportarão o aumento da folha de pagamento e fecharão as portas ou reduzirão o quadro. Já os grandes empresários repassarão o ônus ao consumidor por meio do reajuste dos preços, e outros podem optar por transferir suas operações para países vizinhos, como o Paraguai, em busca de um ambiente mais favorável ao desenvolvimento econômico. " 
Diante de um país com alto índice de desemprego, soa inoportuno ou eleitoreira a proposta que pode agravar mais a situação. Embora, por exemplo, estudos da Unicamp indicam que jornadas menores podem gerar até 4,5 milhões de empregos e elevar a produtividade em 4%, trata-se apenas de dados hipotéticos, baseados em projeções. Se o cenário não se confirmar, o ônus recai sobre empresários, consumidores e trabalhadores. É por isso que entidades como CNI e a Fiesp classificam a medida como inoportuna: o risco de não se concretizar é alto em meio à crise de emprego. Assim, a prudência recomenda que o Senado desaprove a matéria. 

quarta-feira, 3 de junho de 2026

Ser político: a grande sacada para quem está desempregado ou desistiu da profissão


No Brasil, entrar para a política é quase tão fácil quanto virar coach motivacional. Não precisa de diploma, experiência ou preparo – apenas uma boa dose de cara de pau. Basta acordar e pensar: “Que tal ser vereador? Ou melhor, presidente? Parece divertido, paga bem e ainda me chamam de excelência!”. É a atividade dos que não passaram em concurso, não tiveram coragem de abrir um negócio, desistiram da profissão ou simplesmente cansaram de ser inúteis sem título.
Nesse cenário, surge a família Bolsonaro, usufruindo das benesses públicas e lutando com unhas e dentes para se manter no poder, sem apresentar propostas relevantes à nação. O chefe do clã, Jair Bolsonaro, condenado e impedido de concorrer; Flávio Bolsonaro, conspirando contra a pátria, enroscado com Daniel Vorcaro e sonhando com a presidência; Carlos Bolsonaro, que renunciou ao mandato de vereador no Rio de Janeiro para tentar o Senado em Santa Catarina; Renan Bolsonaro, uma coisa eleita vereador em Balneário Camboriú e já sondado para deputado federal; e Michelle Bolsonaro, sem preparo, cogitada ao Senado por Brasília. O espetáculo político brasileiro se transforma em um verdadeiro circo mambembe, iluminado de mediocridades.
Grande parte dos que ingressam na vida pública não o fazem por idealismo ou competência, mas por conveniência. Há empresários que buscam resolver problemas particulares, aposentados e profissionais de diversas áreas que veem na política um bom cabide de emprego e oportunidade de viver das benesses públicas, além dos que não largam o osso por acreditarem ser indispensáveis. Esquecem que o cemitério está cheio de ex-políticos cuja ausência jamais foi sentida.
Se fosse possível, substituiríamos todos por inteligência artificial e sobraria muito dinheiro para investimentos sociais. Ao menos a IA não pediria reembolso de gasolina, não faria rachadinha, não pediria verba a banco para financiar filmes de familiares e não confundiria a Constituição com receita de pão de queijo. Mas como ainda não chegamos lá, resta imaginar uma solução mais plausível: criar um curso obrigatório para políticos. Um ano de aulas intensivas de economia (spoiler: não se governa só com “fé em Deus”), ética (a disciplina mais difícil) e Constituição (não, não é manual de churrasco). 
Para presidenciáveis, o currículo seria ainda mais exigente: inglês básico (sem direito a popcorn), boas maneiras (como não dar tapinha nas costas da Rainha) e diplomacia internacional (aprender que tratados não se negociam como abacaxi na feira). Também seria necessário um curso de apresentação pessoal.  Afinal, política não é capa de super-herói e faixa presidencial não é fantasia de escola de samba. 
Enquanto essa profissionalização não ocorrer, seguiremos elegendo figuras medíocres, mitômanos e oportunistas, reflexo não apenas da incompetência de candidatos, mas também da incapacidade do eleitorado de distinguir liderança de entretenimento. O futuro da política brasileira depende sobretudo da maturidade de seu povo. 

terça-feira, 2 de junho de 2026

A derrota que expôs a imoralidade das indicações ao STF


A rejeição histórica da indicação de Jorge Messias ao STF deixou claro que o modelo de escolha política dos membros da Suprema Corte e dos tribunais superiores, precisa ser urgentemente reformado.  
A derrota do governo e sobretudo do advogado-geral da União, expôs fragilidades políticas e institucionais que poderiam ter sido evitadas se o governo e oposição atuassem em convergências, com respeito democrático e institucional. De qualquer forma, o Senado atuou dentro de sua prerrogativa constitucional.  
É imoral que a Suprema Corte continue funcionando como espaço de barganha política. A moralização do STF passa necessariamente pela mudança do critério constitucional que hoje autoriza o presidente da República a indicar os ministros, com o referendo do Senado. É urgente substituir esse modelo por um sistema baseado em mérito e transparência. 
Nesse sentido, o governo teria a oportunidade de transformar a derrota em avanço institucional, encaminhando ao Congresso PEC que estabeleça a escolha dos ministros exclusivamente entre magistrados de carreira, selecionados por critérios objetivos e comprovados. Assim, o STF se tornaria uma extensão natural da magistratura, e não um nicho de interesses políticos. 
Além disso, a adoção de mandatos fixos de dez ou quinze anos, sem possibilidade de recondução, garantiria renovação periódica e reduziria a tentação de agradar quem os indicou ou de se alinhar a futuros interesses. Dessa forma, o Supremo deixaria de ser refém da política e passaria a refletir a verdadeira independência da Justiça. 
O presidente Lula parece não ter assimilado a derrota sofrida no Senado ao insistir em reapresentar Jorge Messias para a sabatina, quando o próprio indicado deveria ter a grandeza de recusar. Ao desafiar a decisão política já tomada, Lula revela falta de espírito democrático e se expõe a nova derrota. Não seria mais digno se redimir indicando uma mulher para a Suprema Corte? Com sua longa experiência, reconhecer a decisão do Senado não seria um sinal de fraqueza, mas de maturidade democrática. 

sábado, 30 de maio de 2026

Que país é este onde chefes de facções criminosas continuam desafiando as autoridades


A propósito da prisão da advogada Deolane Bezerra dos Santos na Operação Vernix - investigação que atribui a ela lavagem de dinheiro do PCC, algumas considerações. 

Falta ao Brasil coragem para enfrentar de verdade os criminosos que comandam facções de dentro das cadeias. O sistema penal benevolente trata esses bandidos com leniência, permitindo que continuem ditando ordens e sustentando suas famílias com dinheiro do crime. Enquanto isso, advogados enriquecem com honorários pagos por recursos ilícitos, sem qualquer obrigação de revelar a origem desse dinheiro, e aqui está a raiz do problema. 

É atacando essa fonte que sustenta os defensores do crime que poderíamos enfraquecer a vida dos criminosos, ou seja, o poder econômico das facções, mas a legislação brasileira fecha os olhos.  

Casos como os de Fernandinho Beira-Mar e Marcola mostram que, mesmo presos, eles seguem desafiando o Estado e custando milhões aos cofres públicos. A impressão que fica é que nossas autoridades têm medo de enfrentar de verdade essa bandidagem. E não podemos esquecer que dentro do Legislativo há representantes dessas facções, como o ex-deputado estadual fluminense TH Joias, hoje atrás das grades. 

Precisamos urgentemente de um sistema de tolerância zero como ocorre na China, que não dê espaço para criminosos de alto coturno nem para quem lucra com o dinheiro sujo que os sustenta, e que se aplique também a políticos corruptos e a servidores que subtraem dinheiro público.

O governo brasileiro demonstrou falta de habilidade — ou, talvez, tenha se omitido deliberadamente por interesses ocultos. Como consequência, os Estados Unidos classificaram o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras, decisão que pode trazer consequências imprevisíveis para o país.

O Brasil só será livre dessa praga quando a lei proteger, de fato, o cidadão de bem, e não continuar servindo de escudo para quem vive do crime. 


quarta-feira, 27 de maio de 2026

O papagaio de pirata na Terra do Tio Sam


Há quem diga que o Brasil é uma comédia involuntária, mas poucos personagens conseguem elevar o roteiro ao nível de sátira shakespeariana. Eis que surge o nosso papagaio de pirata, aquele que se pendura no ombro do Tio Sam como se fosse medalha de honra, mas na verdade não passa de souvenir barato de aeroporto. Um enfeite exótico, que repete frases prontas e acredita estar no centro da cena mundial.

O sujeito acordou de um transe quixotesco e decidiu que queria ser presidente. Afinal, se o “father” foi moralista de palco, por que não repetir a peça? O detalhe é que, tal como o velho, nunca conseguiu aprovar nada de interesse nacional — mas isso não impede o herdeiro de se autoproclamar o único capaz de salvar a pátria. Competência? Não precisa provar, basta declarar em alto e bom som. Projetos de interesse nacional? Zero, mas quem liga? O importante é dar pitaco no Congresso e bancar o messias. E quando a credibilidade escorre pelo ralo, a solução é simples: corre para o colo do Tio Sam, reclama do governo brasileiro e posa de fofoqueiro internacional.

E como todo bom papagaio, repete frases prontas: “não sou coveiro”, “sou audacioso”, “sou humano”. Mas humano de que espécie? Daquela que se enrosca em negócios pouco republicanos e depois corre para o colo do Tio Sam, chorando mágoas do governo brasileiro. A cena é digna de novela mexicana: o papagaio fofoqueiro, ao lado de Trump, pedindo bênção para espantar o mau-olhado, como se fosse personagem secundário em reality show político.

No Brasil, claro, a moralidade pública é uma flor rara — e o nosso personagem insiste em se apresentar como a mais perfumada delas, mesmo carregando o apelido de “Rachadinha” como quem ostenta medalha olímpica. A credibilidade, já escassa, se dissolve junto com a amizade inconveniente com Vorcaro. Mas, na cabeça do papagaio, isso é detalhe: ele continua convencido de ser a única alternativa séria, sólida e confiável ao governo de Lula. O delírio hereditário culmina na frase final: “sou a única alternativa viva para o Brasil”. Viva, sim, mas de que vive? De bravatas, de pose, de inglês de popcorn e da eterna vocação de papagaio de pirata.


sexta-feira, 22 de maio de 2026

O Reality Show da Política Brasileira


No Brasil, ser político é tão simples quanto virar coach motivacional. Não precisa de diploma, não precisa de experiência, não precisa de nada além de uma boa dose de cara de pau. Basta acordar um dia e pensar: “Que tal ser vereador? Ou melhor, presidente? Parece divertido, paga bem e ainda me chamam de excelência!”. É a profissão dos que não passaram em concurso, despreparados e incompetentes, não tiveram coragem de abrir um negócio, ou simplesmente cansaram de ser inúteis sem título. 
Grande parte dos que ingressam na vida pública não o fazem por vocação ou competência, mas por conveniência. Há os que não conseguem se estabelecer em carreiras honestas, os empresários que buscam resolver problemas particulares de suas empresas, os aposentados, advogados, médicos, professores, delegados, militares etc. que buscam o cabide de emprego e as benesses públicas, e aqueles políticos que não largam o osso porque acreditam ser indispensáveis. Esquecem que o cemitério está cheio de ex-políticos cuja ausência jamais foi sentida.  
Se fosse possível, substituiríamos todos por inteligência artificial. Ao menos, a IA não pediria reembolso de gasolina, não faria rachadinha, não pediria dinheiro a banco para financiar filmes de familiares políticos e não confundiria a Constituição com receita de pão de queijo. Mas como ainda não chegamos lá, resta imaginar uma solução mais plausível: criar um curso obrigatória para políticos. Um ano de curso intensivo, com aulas de economia (spoiler: não se governa só com “fé em Deus”), ética (a disciplina mais difícil) e Constituição (não, não é manual de churrasco). 
Para presidenciáveis, o currículo seria ainda mais caprichado: inglês básico (sem direito a popcorn), boas maneiras (como não dar tapinha nas costas da Rainha) e diplomacia internacional (aprender que tratados não se negociam como abacaxi na feira). Também seria necessário um curso de apresentação pessoal.  Afinal, política não é capa de super-herói e faixa presidencial não é fantasia de escola de samba. 
Enquanto essa profissionalização não ocorre, seguiremos elegendo figuras medíocres, mitômanos e oportunistas, reflexo não apenas da incompetência de candidatos, mas também da incapacidade do eleitorado de distinguir liderança de entretenimento. O futuro da política brasileira depende sobretudo da maturidade de seu povo.