segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Pior com Lula, muito pior será com o "Rachadinha" Flávio Bolsonaro

 

A derrota de Lula no primeiro turno para Flávio Bolsonaro expôs os equívocos na condução da campanha do partido. Que Lula errou ao desistir de participar do último debate político na Rede Globo é apenas um exemplo de como a estratégia não soube explorar de forma contundente temas delicados como: a postura negacionista em relação às vacinas e às mortes durante a pandemia; o envolvimento de Flávio com Vorcaro; a prisão de Bolsonaro e militares pela tentativa de golpe; e a baixa produtividade do governo Bolsonaro. Em resumo, a campanha não enfrentou com firmeza a família Bolsonaro.

Por outro lado, a derrota também escancarou erros de governo. Em plena véspera de eleição, foi apresentada a proposta de mudança da escala 6x1 — típica de pensamentos retrógrados da velha pelegada sindicalista — quando, na iniciativa privada moderna, deveriam prevalecer acordos diretos entre patrão e empregado. Soma-se a isso a atualização intempestiva e eleitoreira do Bolsa Família. Outro equívoco grave foi a atuação tímida diante da insegurança pública, hoje considerada um grande problema nacional. O avanço das facções criminosas, como o Comando Vermelho, que se espalham pelo país e se infiltram nas instituições, não foi enfrentado com a devida firmeza.

Mais grave ainda: Lula não teve coragem de realizar a reforma administrativa, essencial para cortar gastos e desperdícios na máquina pública, inchada de comissionados e mordomias. Em vez disso, aumentou tributos, penalizando quem produz e investe. Não houve proposta para reduzir o número de parlamentares nem para acabar com o empreguismo sem concurso nos gabinetes. Também faltou iniciativa para propor uma reforma constitucional que eliminasse a indicação política de ministros do STF, que deveriam vir exclusivamente da magistratura, com mandato fixo de dez ou quinze anos, sem recondução.

O discurso de que “foi o governo que mais construiu universidades e que agora pobres e negros podem ser doutores” soa insuficiente. Primeiro, quem governa - Lula e o PT - por mais de 15 anos tem obrigação de entregar resultados. Segundo, muitos desses doutores estão desempregados, quando o correto seria ter investido mais em ensino técnico profissionalizante de qualidade. Além disso, por que nunca indicou uma mulher para o STF? Em mais de 15 anos no poder, Lula também não conseguiu erradicar a miséria. Basta percorrer periferias ou o interior do Maranhão para constatar a realidade.

Moral da história: pior com Lula, muito pior será com o “Rachadinha” Flávio Bolsonaro. Lula se comportou de salto alto, acreditando ser uma unanimidade e que venceria facilmente. Esqueceu que o PL se organizou para derrotá-lo. O resultado está aí: muitos candidatos do PL eleitos e um “poste”, representante da família Bolsonaro, que o derrotou no primeiro turno, caminha, infelizmente, para governar o país.

terça-feira, 29 de setembro de 2026

Senado em debate: suplência familiar desafia princípio da moralidade na gestão da coisa pública

Para preservar sua influência política, alguns candidatos recorrem à prática de indicar parentes próximos como suplentes no Senado. Essa manobra traduz o ‘jeitinho brasileiro’ aplicado à política, explorando a fragilidade — ou a condescendência deliberada — do texto constitucional de 1988, que deixou de prever mecanismos eficazes para coibir tais abusos.

O debate sobre a proibição de parentes como suplentes no Senado decorre do princípio da moralidade na gestão da coisa pública, que não pode se confundir com interesses privados ou familiares; contudo, a questão não deveria se limitar apenas aos vínculos de parentesco, pois a própria figura do suplente de senador já constitui uma distorção da representação democrática, ao ocupar assento sem ter recebido votos diretos da população, razão pela qual, em caso de vacância ou ausência do titular eleito, o mais adequado seria que assumisse o candidato mais votado não eleito na eleição majoritária, como ocorre no sistema proporcional, garantindo maior respeito à vontade popular e à transparência do processo democrático. 
Diversas propostas já buscaram corrigir essa anomalia. Algumas foram arquivadas ou rejeitadas, como a PEC 145/2019, PEC 18/2015 e PEC 37/2011. O PLP 253/2020, de autoria do senador Fabiano Contarato (PT-ES), pretende impedir a suplência de cônjuges e parentes até o terceiro grau, mas segue engavetado na Comissão de Constituição e Justiça, sem relator designado. Por que permanece parado? Será que a matéria fere interesses da maioria dos senadores? 
A suplência, em muitos casos, é comparável ao nepotismo já condenado pelo STF. Um parlamentar só é legítimo quando respaldado pelo voto popular. A Constituição de 1988, ao criar essa figura, abriu espaço para interesses escusos e oportunismos. O resultado é que o Senado abriga “paraquedistas” sem mandato, custeados pelos contribuintes. Na ausência do titular, deveria assumir o candidato mais votado, e não o suplente indicado. 
A democracia não será plena enquanto suplentes seguirem ocupando assentos sem legitimidade eleitoral. Parlamentares que registram parentes como suplentes demonstram desprezo pela ética e pela moralidade pública, e o eleitor não deveria respaldar tais candidaturas. Essas práticas evidenciam a prevalência de interesses particulares sobre o compromisso republicano. Não estão na política para servir, mas para dela tirar proveito.
A Constituição precisa ser corrigida, bem como o Tribunal Eleitoral impugnar o nepotismo de parente suplente. 


quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Inteligência de toupeira cega

 

O episódio envolvendo Jair Renan Bolsonaro, vereador e candidato a deputado federal por Santa Catarina, em que é criticado ao tentar abonar falta na Câmara de Balneário Camboriú, é mais um retrato daquilo que se tornou a chamada família metralha Bolsonaro: um clã político que se alimenta de privilégios, mas pouco ou nada devolve em termos de responsabilidade pública. Ao pedir que sua ausência em sessão fosse abonada para visitar o pai — preso por tentativa de golpe —, Jair Renan expôs não apenas sua falta de compromisso com o mandato, mas também sua incapacidade de compreender o papel que ocupa.
Enquanto qualquer trabalhador brasileiro sabe que não pode simplesmente faltar ao serviço para visitas pessoais, o vereador insiste em transformar o cargo em extensão de sua vida privada. O regimento da Câmara é claro: faltas não justificadas geram desconto no salário. Ainda assim, Renan tentou escapar da regra, como se estivesse acima dela. Recebendo R$ 18,2 mil mensais — mais do que um professor —, sua postura é um insulto à cidadania.
Não se trata de um caso isolado. Desde o início da campanha, já foram três faltas em plenário e diversas ausências em comissões permanentes. Sua atuação legislativa, segundo o Estadão, é pífia: quatro projetos aprovados em um ano e meio, nenhum implementado, e um deles plagiado da Câmara de São Paulo. A imagem que se constrói é a de um “poste” político, eleito por acaso, sem ideias próprias e sem preparo para funções básicas de responsabilidade.
Até mesmo aliados de seu campo político reconhecem sua fragilidade. O deputado Nikolas Ferreira comparou sua inteligência à de uma “toupeira cega”, metáfora cruel, mas reveladora do descrédito que Jair Renan desperta. O episódio reforça a percepção de que sua presença na política é fruto apenas do sobrenome que carrega, não de mérito ou competência.
Nesse contexto, merece destaque a postura firme do vereador Marcelo Achutti, que lembrou que candidatos sérios se licenciam para disputar eleições, em vez de pedir favores à Casa. Sua intervenção foi um ato republicano, que expôs a infantilidade e irresponsabilidade de Jair Renan.
O eleitor precisa estar atento: práticas oportunistas como essa corroem a democracia e banalizam o exercício da cidadania. É hora de dar cartão vermelho a quem confunde mandato com privilégio familiar. A política exige seriedade, não a inteligência de uma toupeira cega — sobretudo quando o clã Bolsonaro, incluindo esposa e filhos, se prepara para disputar novas benesses nas urnas em 4 de outubro próximo, numa tentativa de perpetuar o projeto familiar de poder que há anos parasita o Estado brasileiro.

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

O caso Master e a crise de confiança do STF


O país assistiu estarrecido ao efeito do caso Master no Supremo Tribunal Federal, onde ministros, sob a presidência considerada pusilânime de  Edson Fachin, tiveram comportamentos incompatíveis com a dignidade esperada de nossa Suprema Corte. Trata-se de um tribunal de indicação política e, por isso, sujeito a interesses que comprometem sua imparcialidade. 
A principal reforma do Judiciário deve se concentrar no fim da indicação política para os membros dos tribunais superiores. A magistratura de carreira precisa ser prestigiada como único meio de provimento desses cargos. O Judiciário deve exercer seu poder de forma autônoma, sem depender do Legislativo. Na harmonia entre os poderes, não pode haver submissão de um a outro. Todos devem atuar com autonomia total. 
Assim, a moralização do STF passa por uma mudança urgente no critério constitucional vigente. A escolha dos ministros deveria ser restrita a magistrados de carreira, selecionados por mérito comprovado, com base em critérios objetivos e transparentes, sem interferência do Presidente da República. Dessa forma, o STF se tornaria uma extensão natural da magistratura, e não um espaço de barganha política. 
Além disso, deveriam ser adotados mandatos fixos de dez ou quinze anos, sem possibilidade de recondução. Isso garantiria renovação periódica e reduziria a tentação de agradar quem os indicou ou de se alinhar a interesses futuros. 

Da dinastia política ao cabide de emprego nas eleições


 Segundo levantamento do Congresso em Foco, cerca de 17,5% dos parlamentares brasileiros — o equivalente a 104 deputados e senadores — terão familiares disputando as eleições de 2026. Isso significa que, em média, um em cada seis congressistas está diretamente ligado a uma candidatura de parente próximo.
Com o voto obrigatório, o país se torna um terreno fértil para que famílias políticas se perpetuem no poder, transformando o setor público em espaço de favorecimento pessoal, em vez de servir ao interesse coletivo.
Movidos mais por vantagens privadas do que pelo genuíno propósito de representar a sociedade, muitos candidatos convertem a política em palco de interesses particulares. Essa inversão de valores corrói a credibilidade das instituições e afasta o exercício parlamentar de sua verdadeira missão: trabalhar pelo bem comum.
Grande parte dessas candidaturas não se apoia em trajetórias sólidas na iniciativa privada. Se as tivessem, dificilmente abandonariam carreiras estáveis para ocupar funções públicas. Muitos se apresentam apenas como reflexo da imagem de familiares, tornando-se “candidatos-espelho” em busca de salários e privilégios.
É plausível supor que, se o exercício parlamentar não fosse tão bem remunerado, boa parte desses nomes não se aventuraria na política. Se o mandato fosse tratado como serviço cívico temporário, com apenas uma ajuda de custo, restariam apenas pessoas dispostas a servir sem esperar recompensas financeiras. Nesse cenário, a política seria exercida com seriedade, e as falcatruas e corrupções seriam minimizadas.
Moral da história: muitos ingressam na vida pública motivados por conveniências e privilégios, não pelo compromisso de servir à sociedade e ao país. Os políticos brasileiros tornaram-se símbolo de descrédito nacional. Votar, nesse contexto, significa dar emprego e prestígio a quem não merece, enquanto o eleitor permanece desempregado, esquecido e sem perspectivas.

domingo, 20 de setembro de 2026

A banalização da política brasileira



A política brasileira tornou-se um dos ambientes mais degradantes da vida pública — mais suja que um pau de galinheiro. Quando vemos, por exemplo, o senador Izalci Lucas (PL-DF) em palanque ao lado do ex-governador do DF, José Roberto Arruda — condenado por corrupção — e da senhora Michelle Bolsonaro — oportunista em busca de cabide de emprego político e porta-voz do ex-presidente Jair Bolsonaro — fica evidente que a política nacional atingiu seu nível mais deprimente.
Por que o senador não buscou a reeleição ao ceder espaço à ex-primeira-dama, uma figura sem propostas? Quanto ao senhor Arruda, é inaceitável que a legislação eleitoral e penal brasileira — que o senador e demais parlamentares não se empenham em aprimorar — continue falha e leniente com políticos corruptos. Um personagem como Arruda deveria estar banido da vida pública há muito tempo. O país precisa adotar tolerância zero contra políticos indecorosos e corruptos. Condenados deveriam ficar inelegíveis de forma definitiva, em respeito à moralidade pública e ao eleitor. A inelegibilidade transitória não apaga a mácula de quem carece de ética e moral.
O Brasil precisa moralizar seus procedimentos, deixando como legado aos jovens — futuros dirigentes da nação — um sistema político íntegro. Mas o que esperar de uma política conduzida por representantes fracos e despreparados? Veja o exemplo do senador Flávio Bolsonaro, candidato ao Planalto: um autêntico “poste”, sem projetos relevantes, sem qualquer trabalho de sua autoria aprovado no Senado, sustentado apenas pelo nome do pai. Outro exemplo é Michelle Bolsonaro, cuja candidatura ao Senado é lamentável: sem formação política ou cultural, sem trajetória pública que a credencie, apresenta como único atributo ser esposa de Jair Bolsonaro.
O que se espera de um representante público é um conjunto mínimo de atributos: sólida formação educacional, reputação ética e moral ilibada, vivência política e compromisso com a sociedade. Esses requisitos estão ausentes no currículo da ex-primeira-dama. Sua candidatura simboliza a banalização da política e a redução do Senado a palco de interesses pessoais.
O eleitor nacionaldo precisa ter juízo ao escolher seus representantes.

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

A revoada eleitoral de candidatos ao cabide de emprego político

 

Em época de eleição, pelo país afora, o cenário lembra uma revoada de pássaros ao entardecer, em busca de abrigo para a noite. Assim também, em todas as cidades, candidatos — novatos e veteranos — procuram nos eleitores um refúgio para garantir um cabide de emprego político bem remunerado. Afinal, até mesmo um simples vereador, em municípios pobres, costuma receber mais que um professor.

Se aqueles que ingressam na política o fizessem com o propósito genuíno de prestar um serviço à nação, tudo estaria bem. Mas, na prática, os interesses são escusos: ou buscam usufruir das benesses públicas, ou defendem grupos que financiam suas campanhas. A política no Brasil é tão cobiçada que o jornal espanhol El País já afirmou: “ser político no Brasil é um grande negócio, dadas as grandes vantagens auferidas.”

O cargo político é de tal maneira atraente que muitos não querem largar a vida pública: professores, profissionais liberais e, sobretudo, oportunistas em geral. Quando observo campanhas que incentivam a participação feminina na política, pergunto a mim mesmo: será que o interesse é realmente servir à nação ou apenas ocupar o cabide de emprego e desfrutar das luzes do poder? Nesse movimento, surgem candidaturas da esposa de um ex-presidente e de outros políticos.

Se o exercício político não fosse tão bem remunerado, esse interesse se manteria? Se fosse apenas uma ajuda de custo para um mandato transitório, como prestação cívica de serviço ao país, certamente o número de interessados seria bem menor. Restariam apenas pessoas dignas, dispostas a servir sem esperar recompensas financeiras. Nesse cenário, a política seria exercida com seriedade, e as falcatruas e a corrupção seriam minimizadas.

Não deveria existir reeleição, pois o Parlamento precisa de oxigenação constante. Política não pode ser confundida com profissão. Aos que se consideram indispensáveis, lembro que nos cemitérios repousam inúmeros ex-políticos, já esquecidos, cujas ausências não foram sentidas pela sociedade.

Outro ponto crucial: o voto deveria ser facultativo. O voto voluntário representa qualidade, manifestação consciente do cidadão. Já o voto obrigatório, típico de regimes pouco democráticos, tem sido responsável pela eleição e reeleição de quadros políticos sofríveis, incompetentes e corruptos. O eleitor, obrigado a votar, acaba escolhendo qualquer candidato medíocre — e exemplos não faltam, como o caso de Tiririca.