quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

O fim da escala 6 x 1: O sonho dos sindicalistas, o pesadelo dos empresários


A discussão sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 volta ao centro do debate nacional com a PEC da jornada. É inegável que, historicamente, cada conquista trabalhista foi fruto de longas disputas sociais. Mas o Brasil de hoje exige uma reflexão mais madura: avanços tecnológicos aumentaram a produtividade, porém os benefícios nem sempre chegam ao trabalhador, e a desigualdade de renda continua crescendo. O problema é que transformar essa pauta em lei sem considerar a realidade econômica pode gerar mais frustração do que progresso.
Os defensores da mudança — sindicalistas, parlamentares da base governista e setores do próprio governo — parecem ignorar que a maioria dos empregadores no Brasil são pequenos e médios empresários. Essa classe não nada em rios de dinheiro: paga aluguel, impostos, encargos trabalhistas e ainda precisa competir em um mercado cada vez mais difícil. Para eles, a escala 6×2 ou 6×3 não é apenas uma questão de organização, mas um ônus financeiro que muitas vezes inviabiliza o negócio. Quando um funcionário falta, outro precisa ser contratado, e o custo se multiplica.
Enquanto isso, servidores públicos e bancários vivem realidades distintas, sustentados por cofres públicos ou grandes conglomerados financeiros. É fácil para parlamentares, que desfrutam de folgas generosas e salários elevados pagos pela sociedade, defenderem medidas que soam como benefícios sociais. Mas quem sustenta o emprego privado é o empreendedor, e este não pode ser tratado como vilão, como se ainda estivéssemos na era Vargas.
O trabalhador desempregado quer apenas uma oportunidade para sustentar sua família. Já os sindicatos, muitas vezes dominados por pelegos, insistem em reivindicações que soam desconectadas da realidade econômica. Essa briga estéril entre capital e trabalho é ultrapassada. O verdadeiro desafio está em equilibrar desenvolvimento, distribuição de renda e saúde do trabalhador sem sufocar quem gera empregos.
A pergunta que fica é: de onde os pequenos e médios empresários vão tirar dinheiro para bancar a escala dos sonhos dos sindicalistas? A resposta, até agora, ninguém deu. O risco é que, em nome de uma utopia trabalhista, o Brasil acabe destruindo a base que sustenta sua economia.

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