quarta-feira, 15 de julho de 2026

Polarização política: mito ou realidade?


Nos últimos anos, tornou-se comum ouvir parlamentares afirmarem que a polarização política no Brasil é irreversível, uma realidade à qual todos devem se acostumar. Discordo: trata-se de uma construção artificial, intensificada a partir da eleição de Jair Bolsonaro como contraponto ao presidente Lula. 
Historicamente, o Brasil sempre teve disputas ideológicas, mas nunca reduziu o debate nacional a dois indivíduos. Nos anos 1950, por exemplo, trabalhistas e udenistas se enfrentavam, mas havia espaço para outras forças políticas.  
O que vemos hoje é uma polarização alimentada por uma imprensa dividida e por pesquisas eleitorais que, muitas vezes, criam perfis artificiais de eleitorado. Exemplo disso, foi a cobertura das manifestações de 2013, que receberam leituras distintas conforme o viés editorial de cada veículo, criando narrativas oposta sobre o mesmo fenômeno. Em 2018, institutos subestimaram candidaturas fora do eixo tradicional, revelando como pesquisas podem induzir percepções equivocadas. 
Outro fator que contribui para esse cenário é o voto obrigatório, que perpetua políticos medíocres e impede a adoção do voto facultativo, modelo presente em democracias avançadas como Estados Unidos e Reino Unido. 
A polarização só existe na cabeça de quem se deixa levar por narrativas simplistas e não percebem que existem outros candidatos com propostas. Nas eleições municipais, por exemplo, há sempre uma diversidade de candidatos e propostas que raramente recebem atenção nacional, mas que representam alternativas reais. O eleitor consciente não precisa se sentir obrigado a escolher entre dois polos: pode anular o voto, deixar de comparecer ou apoiar projetos diferentes. 
Portanto, dizer que a polarização é inevitável é uma estultice. Ela só se sustenta se o eleitor agir como autômato, sem discernimento. Quem pensa de forma crítica percebe que a política não se resume a Lula ou Bolsonaro, esquerda ou direita. O cemitério está cheio de ex-políticos cuja ausência jamais foi sentida — e isso prova que ninguém é insubstituível. 
Quem tem discernimento não se orienta pela polarização política. 

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