quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Políticos só lembram do povo nas eleições


Os políticos parecem lembrar do povo apenas em época de eleição. Nesse período, o eleitor é tratado como mercadoria cobiçada, mas, passada a disputa, volta a ser ignorado. Pesquisa recente do Datafolha mostra que 85% dos brasileiros recordam seu voto para presidente, devido à polarização Lula/Bolsonaro, mas apenas 23% lembram o deputado federal escolhido. Quatro em cada dez não sabem sequer o nome de um senador em exercício. Esse desinteresse é reflexo direto do mau comportamento dos representantes frente às suas obrigações. 
No Congresso, muitos desonram a liturgia do cargo e raramente são penalizados com a perda de mandato. Soma-se a isso a omissão em apresentar propostas de reforma política que poderiam corrigir distorções constitucionais, como a figura do suplente de senador — um político sem voto —, a adoção do voto facultativo e a criação do sistema de recall, instrumento que permitiria ao povo cassar diretamente mandatos de políticos imorais. 
O eleito, ao chegar ao Parlamento, transforma-se em figura distante, como se fosse um ser superior que não devesse satisfação ao responsável por sua eleição. No entanto, quando chega o período eleitoral, comporta-se de forma submissa para pedir votos. É nesse contraste que se revela a incoerência: políticos inflexíveis às ideias da sociedade, mas dependentes dela para se manter no poder. 
As propostas vindas da população ao Cogresso muitas vezes são ignoraradas pelas excelências. Trata-se de representantes com a soberba acima do nariz, incapazes de abrir espaço para novas ideias e de ouvir a sociedade. Ao insistirem nas mesmas fórmulas desgastadas, perpetuam a incompetência e atrasam soluções para os grandes problemas nacionais. 
Se os políticos compreendessem a mensagem de Albert Einstein — “A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho” — talvez abandonassem a teimosia e reconhecessem que a verdadeira grandeza de um líder está em saber ouvir, aprender e evoluir com a sociedade que o elegeu. 

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