A recente afirmação do senador Flávio Bolsonaro de que seu pai, Jair Bolsonaro, “vai subir a rampa do Planalto junto com o povo brasileiro” em janeiro de 2027 soa mais como um recurso retórico do que como uma possibilidade concreta. Trata-se de um blefador tentando agradar a plateia de rebanho. É o desespero de um candidato natimorto.
Do ponto de vista jurídico, o cenário é cristalino: um condenado pelo Supremo Tribunal Federal que esteja cumprindo pena não possui liberdade de locomoção. A participação em qualquer evento público, especialmente uma cerimônia de posse presidencial, dependeria de autorização judicial excepcional. O cerimonial da Presidência não tem poder para liberar um preso; apenas o Judiciário poderia fazê-lo. E, dadas as circunstâncias, seria praticamente impossível que tal autorização fosse concedida.
Portanto, a imagem evocada pelo senador não passa de um blefe político. Trata-se de uma narrativa simbólica, construída para mobilizar apoiadores e reforçar a ideia de continuidade familiar no poder. Mas, na prática, não há respaldo jurídico ou institucional que permita a cena descrita.
A rampa do Planalto é um símbolo da democracia brasileira, reservado ao presidente eleito e às autoridades que o acompanham. Usá-la como palco de uma promessa irreal apenas reforça o caráter retórico da declaração de um candidato político baratinado. O discurso emociona, mas não se sustenta diante da realidade legal.
Em suma: Flávio Bolsonaro não descreve um fato possível, mas sim uma metáfora política. O blefe está em transformar uma impossibilidade jurídica em promessa de campanha.
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