Nelson Rodrigues, com sua verve irônica, já alertava: em política, até o mais doce dos políticos carece de senso moral. A frase, que soa como sentença definitiva, encontra eco em episódios recentes da cena nacional.
O caso do deputado Nikolas Ferreira, que alegou desconhecer estar voando em jatinho bancado pela Vorcaro durante eventos ligados à campanha de Bolsonaro, é exemplar. A versão apresentada, marcada por contradições e explicações rocambolescas, lembra a narrativa igualmente pirotécnica do deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), que tentou justificar os mais de 400 mil reais encontrados em sacos pretos em um flat usado pelo parlamentar em Brasília como fruto da venda de um imóvel.
Ambos os episódios revelam um padrão: quando confrontados com situações estranhas ou comprometedoras, os políticos recorrem a justificativas que mais confundem do que esclarecem. A percepção pública, naturalmente, é de desconfiança. Afinal, em política, a narrativa pesa tanto quanto os fatos. Explicações mal estruturadas, pouco transparentes ou recheadas de desculpas esfarrapadas reforçam a imagem de hipocrisia e má-fé.
O problema não está apenas nos atos em si, mas na incapacidade de assumir erros com pudor e hombridade. O eleitor, já calejado, percebe quando a versão oficial soa como farsa. E é nesse ponto que a crítica de Nelson Rodrigues se mostra atual: a política brasileira parece condenada a conviver com personagens que, em vez de esclarecer, preferem encenar.
Vale aqui registrar algumas opiniões de leitores: “Eu já vi gente pegando ônibus errado. Agora, pegar jatinho errado é a primeira vez”; “Nikolas voava nas asas do Banco Master e não sabia”; “Em 2022, todos da Igreja Lagoinha conheciam Vorcaro, só Nikolas desconhecia.”
Em suma, tanto Nikolas quanto Sóstenes ilustram a mesma tragédia: políticos que, ao tentar se defender, acabam por expor ainda mais sua fragilidade moral. A lição é clara: em política, não basta negar; é preciso convencer. E quando a narrativa falha, resta apenas o descrédito.
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