O economista Maílson da Nóbrega afirmou que o partido dos trabalhadores (PT) é uma das causas de o Brasil continuar pobre. Essa observação merece reflexão, sobretudo diante da trajetória de mais de duas décadas em que o partido está à frente do país.
Apesar do longo período no poder, o PT não conseguiu eliminar nem reduzir de forma significativa a miséria que assola milhões de brasileiros. Basta percorrer estados e municípios, especialmente no interior, para constatar nas ruas e periferias o descaso com os mais vulneráveis. Vinte anos deveriam ter sido suficientes para estruturar políticas sociais capazes de estancar esse quadro caótico, mas o resultado foi um crescimento tímido em áreas fundamentais como emprego e inclusão social.
O Bolsa Família, frequentemente exaltado como símbolo de compromisso com os pobres, não pode servir de escudo para encobrir falhas estruturais. O programa deveria ter dupla função: garantir assistência imediata e, ao mesmo tempo, estimular a inserção dos beneficiários no mercado formal de trabalho. Sem essa exigência, muitos acabam acomodados, enquanto o governo utilizar o programa como moeda de troca eleitoral.
Além disso, o PT falhou em promover reformas essenciais e em reduzir o tamanho de um estado paquidérmico, marcado por gastos públicos descontrolados e privilégios que furam o teto constitucional. Em vez de cortar desperdícios e mordomias, preferiu aumentar a carga tributária, penalizando empresas e cidadãos produtivos. A tentativa de tributar grandes fortunas ignora que muitos desses patrimônios foram construídos com trabalho árduo e investimentos arriscados, que já contribuem para a riqueza nacional e para a arrecadação de impostos.
O problema central não está na falta de recursos, mas na má gestão. O dinheiro público frequentemente não chega ao destino final, sendo desviado por corrupção e emendas parlamentares mal fiscalizadas. Órgãos como o TCU e os TCEs poderiam ter atribuições ampliadas para garantir maior transparência e rastrear o caminho dos recursos.
Ao não priorizar medidas de correção dos gastos públicos e ao desperdiçar tempo em políticas de confisco tributário, o governo petista mostrou-se incapaz de erradicar a pobreza e de assegurar bem-estar à população mais carente. Nesse sentido, a crítica de Maílson da Nóbrega encontra respaldo: o PT, ao longo de seus anos no poder, revelou-se um gestor público ineficiente, mais preocupado em sustentar sua base eleitoral do que em enfrentar de forma estrutural os problemas sociais do Brasil. Num cenário de desempregos, veja a intempestividade e a medida eleitoreira governista ao enviar ao Congresso projeto para alterar a jornada de trabalho para 5 x 1.
É fácil o governo pretender agradar os trabalhadores com medidas eleitoreiras. Só que o próprio trabalhador pagará a conta, se ele não for demitido pelas pequenas e médias empresas, porque as grandes empresas podem não demitir, mas trasferirão as despesas pelo dia não trabalhado, aumentando o preço das mercadorias.
Ainda que fora do contexto, é necessário registrar: o governo petista falhou na condução da política nacional de segurança pública, hoje considerada um dos problemas mais graves do país.
Não especulo sobre mudanças partidárias no governo. Minha crítica é independente - não alinhada a corrente de direita ou esquerda - e se limita a exigir transparência e responsabilidade na administração pública.
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