Há quem diga que o Brasil é uma comédia involuntária, mas poucos personagens conseguem elevar o roteiro ao nível de sátira shakespeariana. Eis que surge o nosso papagaio de pirata, aquele que se pendura no ombro do Tio Sam como se fosse medalha de honra, mas na verdade não passa de souvenir de aeroporto.
O sujeito acordou de um transe quixotesco e decidiu que queria ser presidente. Afinal, se o “father” foi moralista de palco, por que não repetir a peça? O detalhe é que, tal como o velho, nunca conseguiu aprovar nada de interesse nacional — mas isso não impede o herdeiro de se autoproclamar o único capaz de salvar a pátria.
Competência? Não precisa provar, basta declar em alto e bom som. Projetos de interesse nacional? Zero, mas quem liga? O importante é dar pitaco no Congresso e bancar o messias. E quando a credibilidade escorre pelo ralo, a solução é simples: corre para o colo do Tio Sam, reclama do governo brasileiro e posa de fofoqueiro internacional.
E como todo bom papagaio, repete frases prontas: “não sou coveiro", “sou audacioso”, “sou humano”. Mas humano de que espécie? Daquela que se enrosca em negócios pouco republicanos e depois corre para o colo do Tio Sam, chorando mágoas do governo brasileiro. A cena é digna de novela mexicana: o papagaio fofoqueiro, ao lado de Trump, pedindo bênção para espantar o mau-olhado.
No Brasil, claro, a moralidade pública é uma flor rara — e o nosso personagem insiste em se apresentar como a mais perfumada delas, mesmo carregando o apelido de “Rachadinha” como quem ostenta medalha olímpica. A credibilidade, já escassa, se dissolve junto com a amizade inconveniente com Vorcaro. Mas, na cabeça do papagaio, isso é detalhe: ele continua convencido de ser a única alternativa séria, sólida e confiável ao governo de Lula.
O delírio hereditário culmina na frase final: “sou a única alternativa viva para o Brasil”. Viva, sim, mas de que vive? De bravatas, de pose, de inglês de popcorn e da eterna vocação de papagaio de pirata.
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