quarta-feira, 10 de junho de 2026

Fim da escala 6x1: o empregador não é vilão nem a Constituição é bandeira política

 É difícil não enxergar oportunismo eleitoral no fato de o governo apresentar, em regime de urgência e às vésperas das eleições, um projeto que extingue a escala 6x1 — tida como uma bandeira histórica dos trabalhadores. Após somar mais de 17 anos no poder, por que somente agora essa pauta vem à tona? Parece mais uma cartada de última hora do que um compromisso genuíno.


Parlamentares de esquerda que enxergam a chamada “escala desumana” e retratam o empregador como vilão poderiam observar o exemplo da Havan. Seu fundador iniciou a trajetória como trabalhador comum, sem se queixar das jornadas de serviço. Com esforço e dedicação, alcançou crescimento econômico e hoje se consolidou como um grande gerador de empregos, demonstrando que a disciplina e a perseverança podem transformar realidades.

Não há registros de que seus funcionários reclamem das escalas "desumanas" de trabalho; afinal, eles não são parlamentares, mas trabalhadores que precisam sustentar suas famílias. A Havan demonstra que uma relação equilibrada entre capital e trabalho, voltada para o benefício de todos — empregador e empregado — pode ser bem-sucedida dentro da jornada 6x1. Não há indícios de que a empresa explore seus trabalhadores, nem de que estes se oponham à carga horária.  
O trabalhador, em essência, busca emprego para sustentar sua família, enquanto sindicalistas e parlamentares de viés esquerdista preferem fomentar greves e discursos inflamados nas ruas, incitando ressentimento contra os patrões. Se os trabalhadores da Havan têm tempo para estar com a família, os demais das empresas privadas também têm. Portanto, não é verdadeira a lógica de que o fim da escala 6x1 vai proporcionar maior aproximação familiar e lazer. O que desagrega a família é o desemprego.  
Segundo a Forbes Brasil, micro e pequenos empresários são os mais pressionados pelo fim da escala 6x1, já que terão de manter salários com menos horas trabalhadas, sem margem para contratar novos funcionários. Estudos estimam que o impacto pode chegar a R$ 158 bilhões por ano, afetando diretamente setores de comércio, serviços e pequenas indústrias. Num país marcado por sério déficit de emprego, não faz sentido — senão por viés eleitoreiro — o governo propor alteração constitucional, sendo ele um dos signatários da escala consagrada e que vem funcionando bem.  
É perfeitamente democrático que a jornada de trabalho na iniciativa privada seja uma prerrogativa do empregador e do trabalhador, não do Estado ou dos sindicatos. O resultado desse embate ideológico é preocupante: os micro e pequenos empreendedores não suportarão o aumento da folha de pagamento e fecharão as portas ou reduzirão o quadro. Já os grandes empresários repassarão o ônus ao consumidor por meio do reajuste dos preços, e outros podem optar por transferir suas operações para países vizinhos, como o Paraguai, em busca de um ambiente mais favorável ao desenvolvimento econômico. " 
Diante de um país com alto índice de desemprego, soa inoportuno ou eleitoreira a proposta que pode agravar mais a situação. Embora, por exemplo, estudos da Unicamp indicam que jornadas menores podem gerar até 4,5 milhões de empregos e elevar a produtividade em 4%, trata-se apenas de dados hipotéticos, baseados em projeções. Se o cenário não se confirmar, o ônus recai sobre empresários, consumidores e trabalhadores. É por isso que entidades como CNI e a Fiesp classificam a medida como inoportuna: o risco de não se concretizar é alto em meio à crise de emprego. Assim, a prudência recomenda que o Senado desaprove a matéria. 

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