A política deveria ser encarada como missão cívica, não como palco para aventureiros em busca de visibilidade ou de um cabide de emprego. No entanto, o cenário brasileiro insiste em se repetir: figuras sem preparo, sem projeto e sem experiência profissional se lançam em candidaturas parlamentares, sustentadas apenas pelo carisma ou pela associação a nomes já conhecidos. É nesse contexto que surge a provável candidatura de Michelle Bolsonaro ao Senado pelo Distrito Federal.
Sem formação política ou cultural, sem trajetória pública que a credencie, Michelle Bolsonaro apresenta como único atributo o fato de ser esposa de Jair Bolsonaro. Essa dependência da imagem alheia revela oportunismo e ausência de luz própria. O capital político que se constrói a partir da sombra de outra figura é frágil e pusilânime, incapaz de oferecer propostas consistentes ou visão de país.
Infelizmente, o retrato da política nacional é povoado por nulidades e oportunistas. Muitos enxergam o Congresso como balcão de negócios ou como alternativa após fracassos na iniciativa privada e em concursos públicos. A candidatura de Michelle Bolsonaro sintetiza esse fenômeno: a transformação da política em vitrine, em vez de espaço de compromisso com o interesse coletivo.
É legítimo questionar os critérios de acesso à vida parlamentar. O que se espera de um representante público é um conjunto mínimo de atributos: formação educacional sólida, reputação ética e moral ilibada, vivência política e compromisso com a sociedade. Esses requisitos estão ausentes no currículo da ex-primeira-dama. Sua candidatura, portanto, simboliza a banalização da política e a redução do Senado a palco de interesses pessoais.
A política não é espetáculo nem oportunidade de ascensão individual. É serviço público, exige preparo e responsabilidade. O Congresso Nacional deve ser a casa do povo, não o abrigo de aventureiros. Aos que almejam a vida política, fica o aviso: ela existe para servir à sociedade, não para servir-se dela.
Diga não aos candidatos oportunistas. Não eleja quem não tem projetos. O Parlamento precisa de políticos sérios e não de aventureiros.
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