O eleitor catarinense precisa desenvolver um olhar crítico e responsável. Não se deve entregar o destino do Estado a candidatos sem vínculo real com Santa Catarina — seja por origem, trajetória profissional, atividade econômica ou residência consolidada. É preciso desconfiar dos chamados “candidatos aventureiros”, que transferem o título de eleitor apenas para disputar eleições, sem qualquer compromisso histórico ou social com o povo catarinense.
Muitos jovens, em especial, desconhecem a trajetória de figuras que desembarcam em Santa Catarina com o único objetivo de conquistar um mandato. Acabam seduzidos por narrativas polarizadas, de esquerda ou de direita, e votam sem consciência crítica. O fenômeno da direita bolsonarista no Estado é exemplo disso: candidatos que se elegeram apenas surfando na imagem de Jair Bolsonaro, sem propostas consistentes ou serviços relevantes prestados à sociedade catarinense. Casos como o do senador Jorge Seif ou de Carlos Bolsonaro, ex-vereador do Rio de Janeiro e candidato ao Senado, ilustram bem essa lógica de oportunismo político. O mesmo vale para Renan Bolsonaro, eleito vereador em Balneário Camboriú à sombra do pai, sem preparo ou atuação efetiva, e que agora, surpreendentemente, é candidato à Câmara Federal.
É preciso lembrar aos eleitores que pesquisas eleitorais podem ser manipuladas e que existem alternativas além da polarização. O voto é um direito, e também é um direito constitucional anulá-lo caso não haja candidatos confiáveis. Votar apenas “contra” alguém, sem avaliar propostas, é alimentar uma polarização estéril e irresponsável. Democracias maduras praticam o voto facultativo, e talvez fosse hora de o Brasil discutir esse modelo.
A trajetória política nacional mostra avanços e retrocessos: Collor simbolizou a transição democrática; FHC trouxe estabilidade econômica; Lula ampliou a inclusão social; Dilma enfrentou crises; Temer priorizou reformas; Bolsonaro, por sua vez, deixou marcas negativas em saúde, educação, segurança e políticas sociais, sendo amplamente criticado pela gestão da pandemia, pelo atraso na compra de vacinas, pela flexibilização de armas que aumentou a violência armada e pelo baixo desempenho econômico. O eleitor catarinense precisa aprender com essa história e não repetir erros.
Embora Lula não seja exemplo de sobriedade política, a família Bolsonaro representa ainda mais claramente o uso da política como negócio familiar, esquecendo que ela existe para servir à sociedade e não para servir-se dela. Se, conforme alegam seus adversários, Lula deveria estar preso por envolvimento na Lava Jato, o fato é que seu processo foi anulado pela Suprema Corte — decisão que deve ser respeitada. Da mesma forma, é necessário acatar a determinação do STF que condenou e ordenou a prisão de conspiradores contra a ordem democrática, incluindo Jair Bolsonaro.
E quando se fala em credenciais, é inevitável questionar: que preparo tem Flávio Bolsonaro, cognominado “o Rachadinha”, para disputar a presidência da República? Na educação, saúde, segurança pública, emprego, habitação ou saneamento básico, sua trajetória não apresenta projetos relevantes aprovados no Legislativo. Trata-se de um candidato sem propostas, sem brilho próprio, um “candidato espelho” que apenas reflete a imagem do pai. Além disso, carrega o peso das denúncias de rachadinhas na Alerj, suspeitas de lavagem de dinheiro em sua loja de chocolates no Rio de Janeiro (já repassada) e de seu envolvimento com Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
Por isso, é fundamental que o eleitor catarinense valorize candidatos com raízes no Estado, que tenham domicílio consolidado há pelo menos cinco anos e que demonstrem compromisso real com Santa Catarina, independentemente do partido. O futuro do Estado não pode ser decidido por oportunistas que veem aqui apenas um trampolim eleitoral.
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