segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Advogado e o Dinheiro do Crime: Um Debate Necessário


O combate às organizações criminosas exige mais do que operações policiais e endurecimento penal. É preciso atingir o coração financeiro dessas estruturas, desarticulando os fluxos de dinheiro que sustentam suas atividades — inclusive os que bancam defesas jurídicas sofisticadas. 
É comum que líderes de facções criminosas, mesmo presos e sem atividade laboral formal, contem com advogados renomados e bem remunerados. A pergunta que não quer calar: de onde vem o dinheiro para pagar esses honorários? Se os recursos são de origem ilícita, o Estado tem o dever de intervir. 
Defender o direito à ampla defesa é essencial. Mas permitir que advogados sejam pagos com dinheiro do tráfico, da extorsão ou do roubo é fechar os olhos para um elo que fortalece o crime organizado. O advogado não pode ser cúmplice — ainda que involuntário — de uma engrenagem criminosa. 
É urgente que se crie legislação que proíba expressamente o pagamento de honorários advocatícios com recursos de origem ilícita. Mais ainda: que se exija dos profissionais da advocacia a comprovação da origem lícita dos valores recebidos quando atuarem na defesa de integrantes de organizações criminosas. 
A proposta não visa cercear direitos, mas proteger o sistema de justiça. Quando não há comprovação de renda legal, o defensor público deve ser o responsável pela defesa. Isso garante o direito constitucional sem permitir que o poder econômico do crime continue a influenciar os tribunais. 
O Brasil precisa enfrentar esse debate com coragem. O dinheiro sujo não pode continuar comprando proteção jurídica. É hora de fechar essa brecha e fortalecer o combate ao crime com inteligência, responsabilidade e respeito à legalidade. 

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Política no Brasil: o grande negócio sem concurso e habilitação


No Brasil, virar político é quase tão fácil quanto virar coach. Não exige diploma, experiência ou preparo - só cara de pau. Basta acordar e pensar: “Que tal ser vereador? Ou melhor, presidente? Parece divertido, o salário é bom, o título é pomposo e ainda chamam de excelência.” É a profissão dos que não passaram em concurso, não tiveram coragem de abrir um negócio ou simplesmente cansaram de ser inúteis sem título. 

Nesse cenário, surge a família Bolsonaro, especialista em usufruir das benesses públicas e lutar com unhas e dentes para se manter no poder, sem apresentar propostas relevantes à nação. O chefe do clã, Jair Bolsonaro, condenado e impedido de concorrer; Flávio Bolsonaro, enroscado com Daniel Vorcaro e sonhando com a presidência; Carlos Bolsonaro, que abandonou o mandato de vereador no Rio para tentar o Senado em Santa Catarina; Renan Bolsonaro, uma coisa eleita vereador em Balneário Camboriú e já candidato para deputado federal; e Michelle Bolsonaro, sem preparo algum, candidata ao Senado por Brasília. O espetáculo político brasileiro se transforma em um verdadeiro circo mambembe, iluminado por mediocridades. 

Grande parte dos políticos não está na vida pública por idealismo, mas por conveniências. Há empresários que buscam resolver problemas particulares, aposentados e profissionais de diversas áreas que veem na política um bom cabide de emprego e a oportunidade de viver das benesses públicas. E há também os que não largam o osso por acreditarem ser indispensáveis. Esquecem que o cemitério está cheio de ex-políticos cuja ausência jamais foi sentida. 

Se fosse possível, substituiríamos todos por inteligência artificial e sobraria muito dinheiro para investimentos sociais. Ao menos, a IA não pediria reembolso de gasolina, não faria rachadinha, não pediria verba a banco para financiar filmes de familiares, nem confundiria a Constituição com receita de pão de queijo. 

Enquanto isso, a solução mais plausível seria criar um curso obrigatório de um ano para políticos: economia, ética (a disciplina mais difícil) e Constituição. E para presidenciáveis, inglês básico (sem direito a popcorn), boas maneiras e diplomacia. Porque política não é fantasia de escola de samba. 

terça-feira, 25 de agosto de 2026

Santa Catarina não é trampolim eleitoral

 

O eleitor catarinense precisa desenvolver um olhar crítico e responsável. Não se deve entregar o destino do Estado a candidatos sem vínculo real com Santa Catarina — seja por origem, trajetória profissional, atividade econômica ou residência consolidada. É preciso desconfiar dos chamados “candidatos aventureiros”, que transferem o título de eleitor apenas para disputar eleições, sem qualquer compromisso histórico ou social com o povo catarinense.

Muitos jovens, em especial, desconhecem a trajetória de figuras que desembarcam em Santa Catarina com o único objetivo de conquistar um mandato. Acabam seduzidos por narrativas polarizadas, de esquerda ou de direita, e votam sem consciência crítica. O fenômeno da direita bolsonarista no Estado é exemplo disso: candidatos que se elegeram apenas surfando na imagem de Jair Bolsonaro, sem propostas consistentes ou serviços relevantes prestados à sociedade catarinense. Casos como o do senador Jorge Seif ou de Carlos Bolsonaro, ex-vereador do Rio de Janeiro e candidato ao Senado, ilustram bem essa lógica de oportunismo político. O mesmo vale para Renan Bolsonaro, eleito vereador em Balneário Camboriú à sombra do pai, sem preparo ou atuação efetiva, e que agora, surpreendentemente, é candidato à Câmara Federal.

É preciso lembrar aos eleitores que pesquisas eleitorais podem ser manipuladas e que existem alternativas além da polarização. O voto é um direito, e também é um direito constitucional anulá-lo caso não haja candidatos confiáveis. Votar apenas “contra” alguém, sem avaliar propostas, é alimentar uma polarização estéril e irresponsável. Democracias maduras praticam o voto facultativo, e talvez fosse hora de o Brasil discutir esse modelo.

A trajetória política nacional mostra avanços e retrocessos: Collor simbolizou a transição democrática; FHC trouxe estabilidade econômica; Lula ampliou a inclusão social; Dilma enfrentou crises; Temer priorizou reformas; Bolsonaro, por sua vez, deixou marcas negativas em saúde, educação, segurança e políticas sociais, sendo amplamente criticado pela gestão da pandemia, pelo atraso na compra de vacinas, pela flexibilização de armas que aumentou a violência armada e pelo baixo desempenho econômico. O eleitor catarinense precisa aprender com essa história e não repetir erros.

Embora Lula não seja exemplo de sobriedade política, a família Bolsonaro representa ainda mais claramente o uso da política como negócio familiar, esquecendo que ela existe para servir à sociedade e não para servir-se dela. Se, conforme alegam seus adversários, Lula deveria estar preso por envolvimento na Lava Jato, o fato é que seu processo foi anulado pela Suprema Corte — decisão que deve ser respeitada. Da mesma forma, é necessário acatar a determinação do STF que condenou e ordenou a prisão de conspiradores contra a ordem democrática, incluindo Jair Bolsonaro.

E quando se fala em credenciais, é inevitável questionar: que preparo tem Flávio Bolsonaro, cognominado “o Rachadinha”, para disputar a presidência da República? Na educação, saúde, segurança pública, emprego, habitação ou saneamento básico, sua trajetória não apresenta projetos relevantes aprovados no Legislativo. Trata-se de um candidato sem propostas, sem brilho próprio, um “candidato espelho” que apenas reflete a imagem do pai. Além disso, carrega o peso das denúncias de rachadinhas na Alerj, suspeitas de lavagem de dinheiro em sua loja de chocolates no Rio de Janeiro (já repassada) e de seu envolvimento com Vorcaro, ex-dono do Banco Master.

Por isso, é fundamental que o eleitor catarinense valorize candidatos com raízes no Estado, que tenham domicílio consolidado há pelo menos cinco anos e que demonstrem compromisso real com Santa Catarina, independentemente do partido. O futuro do Estado não pode ser decidido por oportunistas que veem aqui apenas um trampolim eleitoral.

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Pitbulls e Rottweilers: até quando o Legislativo federal vai ignorar os ataques


O Legislativo federal precisa tomar providências urgentes, aprovando lei que proíba a criação, no Brasil, de cães das raças Pitbull e Rottweiler. Casos graves de ataques envolvendo esses animais têm sido registrados em diversas regiões do país, resultando em mortes e mutilações. No entanto, não se tem notícias,  no país, da agressividade de outras raças como pastor alemão, utilizado pelas polícias. 
Exemplos recentes incluem: a escritora Roseana Murray, que perdeu um braço após ser atacada por um Pitbull em abril de 2024, no Rio de Janeiro; uma menina de 2 anos que morreu em julho de 2025, em Hortolândia (SP), após ataque de um Pitbull criado pelo próprio pai; e, em Santa Catarina, três ocorrências graves entre março e junho de 2025 envolvendo crianças atacadas por Pitbulls e Rottweilers. 
É grave que o Brasil registre sucessivos casos de ataques envolvendo essas raças — chegando até à morte de tutores — e, ainda assim, não tenha proibido sua criação no país.
Diante da recorrência desses episódios, é inadmissível que o Legislativo permaneça inerte. A sociedade não pode esperar que mais vítimas, especialmente crianças, sejam mortas ou feridas gravemente por esses animais. É hora de agir e proteger vidas, proibindo a criação dessas raças.

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Os políticos só lembram do povo nas eleições


Os políticos parecem lembrar do povo apenas em época de eleição. Nesse período, o eleitor é tratado como mercadoria cobiçada, mas, passada a disputa, volta a ser ignorado. Pesquisa recente do Datafolha mostra que 85% dos brasileiros recordam seu voto para presidente, devido à polarização Lula/Bolsonaro, mas apenas 23% lembram o deputado federal escolhido. Quatro em cada dez não sabem sequer o nome de um senador em exercício. Esse desinteresse é reflexo direto do mau comportamento dos representantes frente às suas obrigações. 
No Congresso, muitos desonram a liturgia do cargo e raramente são penalizados com a perda de mandato. Soma-se a isso a omissão em apresentar propostas de reforma política que poderiam corrigir distorções constitucionais, como a figura do suplente de senador — um político sem voto —, a adoção do voto facultativo e a criação do sistema de recall, instrumento que permitiria ao povo cassar diretamente mandatos de políticos imorais. 
O eleito, ao chegar ao Parlamento, transforma-se em figura distante, como se fosse um ser superior que não devesse satisfação ao responsável por sua eleição. No entanto, quando chega o período eleitoral, comporta-se de forma submissa para pedir votos. É nesse contraste que se revela a incoerência: políticos inflexíveis às ideias da sociedade, mas dependentes dela para se manter no poder. 
As propostas vindas da população ao Cogresso muitas vezes são ignoraradas pelas excelências. Trata-se de representantes com a soberba acima do nariz, incapazes de abrir espaço para novas ideias e de ouvir a sociedade. Ao insistirem nas mesmas fórmulas desgastadas, perpetuam a incompetência e atrasam soluções para os grandes problemas nacionais. 
Se os políticos compreendessem a mensagem de Albert Einstein — “A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho” — talvez abandonassem a teimosia e reconhecessem que a verdadeira grandeza de um líder está em saber ouvir, aprender e evoluir com a sociedade que o elegeu. 

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Os imorais privilégios vitalícios custeados pela sociedade


O cidadão brasileiro é, em grande medida, responsável pelos gastos excrescentes da República. Ao se omitir de cobrar com veemência do poder legislativo — seja por manifestações diretas aos seus representantes no Congresso ou por ações massivas nas ruas — o povo, principal agente da democracia, transige com o estado de irresponsabilidade de nossos agentes públicos.
Agentes públicos sem constante fiscalização da sociedade são um prato feito para abusos contra os cofres da nação, em desrespeito aos cidadãos contribuintes.
Tenho consciência de que minhas ponderações pouco importam às autoridades ou ecoam entre concidadãos. Mas, como cidadão e contribuinte, procuro fazer a minha parte ao criticar o sistema — obrigação que deveria ser compartilhada por todos os brasileiros.
Infelizmente, a maioria parece indiferente aos gastos públicos e às despesas que sustentam privilégios de algumas corporações. Num país onde milhões enfrentam fome, desemprego e a dura realidade das ruas, é um imoral escárnio que a União continue a arcar com despesas vitalícias de segurança e assessoria para ex-presidentes da República — inclusive cassados, condenados e presos — e, mais recentemente, para ex-ministros do STF.
Em 2025, o STF aprovou segurança vitalícia para todos os seus ex-ministros, com custo de cerca de R$ 42 milhões em contratos de segurança privada. Apenas no primeiro semestre, os benefícios dos ex-presidentes da República (segurança, motoristas, assessores e veículos oficiais) custaram R$ 3,65 milhões aos cofres públicos.
Ora, o risco de ser presidente ou ministro do STF faz parte do sistema. Ex-policiais, promotores ou outras autoridades que combateram organizações criminosas não recebem serviços vitalícios após a aposentadoria. No máximo, deveriam ser protegidos por cinco anos, em respeito aos princípios da igualdade, razoabilidade, moralidade e impessoalidade.
Urge, portanto, a moralização do país: a revogação da Lei 7.474/1986 e a revisão imediata das decisões que concederam privilégios vitalícios a ex-presidentes e ex-ministros do STF. O Legislativo e o Judiciário precisam ser chamados à responsabilidade.
Enquanto isso não acontece, continuaremos a financiar privilégios de poucos, enquanto milhões de brasileiros seguem esquecidos, marginalizados e vivendo abaixo da linha da pobreza.

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

A Urgência da renovação política


A política, em sua essência, não deve ser encarada como profissão, mas como prestação de serviço cívico transitório. O mandato é uma missão temporária, e, ao seu término, o indivíduo deveria retornar à sua profissão ou aos seus afazeres. A perpetuação de mandatos por meio da reeleição compromete a oxigenação do sistema político e deveria ser revista. O Congresso e o Legislativo, em todas as esferas, precisam de renovação constante. Afinal, nenhum político é insubstituível: muitos já foram esquecidos nos cemitérios sem deixar saudades.
O Brasil sofre com a mácula das famílias políticas, verdadeiras dinastias que se perpetuam no poder. Em vez de se dedicarem à iniciativa privada, muitos herdeiros preferem seguir a trilha aberta por seus pais, usufruindo das benesses públicas sem concurso e desfrutando das luzes da ribalta. Esse fenômeno, infelizmente, ainda marca profundamente a vida política maranhense e da nação.
Um exemplo emblemático é o da família Sarney. Roseana Sarney, debilitada, representa uma linhagem que não conseguiu tirar o Maranhão da miséria crônica. Seu desempenho atual como deputada federal é discreto, e agora, candidata ao Senado, insiste em ocupar espaço político que poderia ser destinado a novas lideranças. O Maranhão, historicamente atrasado, não se corrige ao abrir novamente oportunidade para quem pouco contribuiu para sua transformação.
Nesse cenário, o deputado federal Pedro Lucas Fernandes (União-MA) surge como uma liderança jovem e mais arejada. Sua desistência da disputa pelo Senado representa um retrocesso diante da possibilidade de renovação frente ao desgaste das velhas dinastias. Ainda assim, é preciso reiterar: o mandato político deve ser encarado como função transitória e temporária, jamais como carreira vitalícia.
O Maranhão precisa de novos rumos, e isso só será possível com a coragem de romper com o passado e abrir espaço para lideranças que tragam ideias frescas e compromisso genuíno com o serviço público.

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Suplentes de Senadores: "paraquedistas" sem mandatos

 

O Senado Federal, instituição que deveria zelar pela moralidade da República, insiste em manter a excrescência do cargo de suplente de senador — alguém que ocupa cadeira sem ter sido eleito, em afronta aos princípios básicos da representação popular. 
Enquanto projetos de interesse político avançam com rapidez, propostas que tratam da ética institucional enfrentam resistência. É o caso do PLP 253/2020, de autoria do senador Fabiano Contarato (PT-ES), que busca impedir a suplência de cônjuges e parentes até terceiro grau. O projeto, porém, segue engavetado na Comissão de Constituição e Justiça, sem relator designado. Por que, após tantos anos, permanece parado? Será que a matéria fere interesses da maioria dos senadores?
A suplência, em muitos casos, é um mecanismo comparável ao nepotismo já condenado pelo STF. Um parlamentar só é legítimo quando respaldado pelo voto popular. A Constituição de 1988, ao criar essa figura, abriu espaço para interesses escusos e oportunismos. O resultado é que o Senado abriga "paraquedistas" sem mandato, custeados pelos contribuintes. Na ausência do titular, deveria assumir o candidato mais votado na eleição majoritária, e não o suplente indicado.
Veja a lista de 15 candidatos ao Senado com suplentes ligados por parentescos e que o eleitor deveria rejeitar nas urnas:
  • Bia Kicis (PL-DF) – Suplente: Samuel Kicis (filho)
  • Chico Rodrigues (PSB-RR) – Suplente: Pedro Arthur (filho)
  • Del. André David (Republicanos-SE) – Suplente: Rebeka Maia (esposa)
  • Domingos Sávio (PL-MG) – Suplente: Pablo Gontijo (filho)
  • Eduardo Braga (MDB-AM) – Suplente: Sandra Braga (esposa)
  • Eduardo Velloso (Solidariedade-AC) – Suplente: Rejane Velloso (esposa)
  • Gladson Cameli (PP-AC) – Suplente: Beatriz Cameli (tia)
  • Helder Barbalho (MDB-PA) – Suplente: Jader Barbalho (pai)
  • Marcelo Castro (MDB-PI) – Suplente: Dário Castro (filho)
  • Michelle Bolsonaro (PL-DF) – Suplente: Diego Torres (irmão)
  • Pastor Isamar (União-RR) – Suplente: Isamar Junior (filho)
  • Styvenson Valentim (Podemos-RN) – Suplente: Kelly Valentim (irmã)
  • Teresa Surita (MDB-RR) – Suplente: Luciana Surita (filha)
  • Tiago Junqueira (PL-PI) – Suplente: Jhamy Junqueira (esposa)
A democracia não pode ser plena enquanto suplentes continuarem a ocupar assentos sem legitimidade eleitoral. 

domingo, 2 de agosto de 2026

A nossa política é mais suja que pau de galinheiro


Não é exagero dizer que a política nacional é mais suja que pau de galinheiro, tamanhos são os registros negativos — até policiais — envolvendo políticos. Poucos escapam dessa comparação. É lamentável a reputação do político brasileiro. Não é à toa que muitos abandonam suas profissões, abraçam a política e não largam mais, atraídos pelas vantagens do cargo.
Quando flagrados em maracutaias, juram inocência, alegam perseguição e se dizem vítimas. A história, porém, revela a face poluta do político brasileiro: não entram na política para servir à sociedade, mas para servir-se dela e alcançar objetivos escusos. Pessoas honestas não se envolvem em negócios suspeitos. Apenas aqueles que fingem virtude inquebrantável, aparentam seriedade e sabem explorar a coisa pública ou amizades duvidosas acabam acusados de práticas irregulares. Essa é a cristalina verdade.
Se, em delação premiada, o ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro abrir a caixa-preta do propinoduto, grande parte do Congresso desmoronará, dado o envolvimento de seus membros em práticas corruptas. Hoje, a política brasileira transita no fundo do poço, sem que a sociedade consiga reverter a situação. Infelizmente, a Constituição nega ao povo o direito de cassar diretamente políticos corruptos, enquanto as CPIs se tornam instrumentos decorativos, sem poder de punição jurídica. O STF, por sua vez, também não pune nem cassa mandatos, já que seus ministros são fruto de indicação política.
Num país democrático, onde o povo deveria ser o principal agente da democracia, falta o instrumento do “recall”, usado em democracias avançadas, que permitiria à sociedade retirar antecipadamente da política aqueles que afrontam a liturgia do cargo. O caso Master, por exemplo, representa a vergonha envolvendo políticos e membros do Judiciário. Certamente se arrastará por muito tempo, protegido por recursos e bancadas advocatícias especializadas em defender corruptos. Provavelmente será mais um episódio sombrio que passará incólume, engrossando a história corrupta da política brasileira.
Moral da história: a política brasileira continuará suja — tão suja quanto pau de galinheiro.

sábado, 1 de agosto de 2026

A misoginia - ódio ou aversão às mulheres - deve ser tratada como agravante nos crimes contra a honra


O ordenamento jurídico brasileiro sofre de um mal recorrente: a multiplicação de leis específicas para situações já contempladas pela Constituição. O artigo 5º da CF consagra a igualdade de gênero e a dignidade da pessoa humana, assegurando às mulheres proteção contra qualquer forma de discriminação. No entanto, projetos como o PL 896/2023, que tipifica a misoginia como crime autônomo, acabam por fragmentar o sistema penal e gerar redundância normativa.
A misoginia, entendida como ódio ou aversão às mulheres, já pode ser enquadrada nos crimes contra a honra — injúria, difamação e calúnia — previstos no Código Penal. O problema não está na ausência de previsão legal, mas na insuficiência das penas quando a motivação é misógina. A solução, portanto, não é criar um novo tipo penal, mas reconhecer a misoginia como agravante que aumenta o quantum da pena.
É importante reconhecer, contudo, que a caracterização da misoginia não pode ser feita de forma subjetiva ou automática. Cabe ao tribunal, diante da lide, enquadrar juridicamente a conduta como injúria, difamação ou calúnia e, a partir daí, aplicar o agravamento da pena quando ficar demonstrado que o desrespeito decorreu de motivação misógina. Dessa forma, evita-se a banalização do conceito e garante-se segurança jurídica, sem abrir espaço para interpretações arbitrárias.
Assim, uma injúria simples, hoje punida com até seis meses de detenção, poderia ter sua pena elevada em até metade se praticada por motivo de misoginia. O mesmo raciocínio se aplicaria à difamação e à calúnia. Já a injúria qualificada por preconceito (art. 140, §3º, CP) poderia ser interpretada de forma explícita para incluir a misoginia, reforçando a punição sem necessidade de nova lei.
Essa solução preserva a unidade constitucional, evita a extravagância legislativa e garante maior eficácia na repressão às condutas misóginas. Em vez de criar um mosaico de leis que enfraquece a força normativa da Constituição, o legislador deveria fortalecer os mecanismos já existentes, tornando-os mais severos quando a vítima é atacada por sua condição de mulher.
Portanto, o caminho mais racional não é multiplicar leis, mas consolidar a proteção constitucional com agravantes claros e eficazes. A misoginia deve ser combatida com rigor, mas sem redundância normativa: basta aplicar a Constituição, aprimorar o Código Penal e confiar ao Judiciário o papel de enquadrar e punir com objetividade.

quarta-feira, 29 de julho de 2026

Reeleição: o eleitor deveria votar apenas em candidatos novos

Nas próximas eleições, muitos políticos buscarão renovar seus mandatos ou disputar novos cargos. Mas será que esse interesse existiria se o exercício da política não fosse tão bem remunerado?

A política em sua essência não deveria ser encarada como profissão, mas como prestação de serviço civico transitório ao país. Mandato é uma missão temporária, e, ao seu término, o indivíduo deveria retornar  à sua profissão. A perpertuação de mandatos por meio da reeleição ou eleição a outros pleitos compromete a oxigenação do sistema político e deveria ser revista.  
Tanto o Legislativo, em todas as suas esferas, quanto o Executivo carecem de renovação constante. É sabido que o poder, a visibilidade pública e as benesses associadas ao exerício político exercem um fascínio sobre muitos. Contudo, nenhum político é insubstituível. E não esquecer que muitos daqueles que se julgavam úteis ou indispensáveis hoje repousam nos cemitérios esquecidos, sem que o país tenha sentido a sua ausência. 
O eleitor deveria votar apenas em candidatos novos, como resposta aos politicos carreiristas.

segunda-feira, 27 de julho de 2026

Bolsa adicional: política eleitoreira disfarçada de incentivo educacional


Às vésperas da eleição, o senador Renan Filho (MDB-AL), candidato ao governo de Alagoas, anuncia uma bolsa adicional para premiar alunos com boas notas, somada ao Cartão Escola 10, destinado a estudantes com boa frequência. A proposta, apresentada em momento estratégico, revela-se menos como política educacional e mais como jogada eleitoral. Se a medida fosse realmente prioridade, por que não foi implementada antes?
O Brasil tem sido palco de políticas assistencialistas de caráter eleitoreiro, que não enfrentam os problemas estruturais da sociedade. São benefícios paliativos, criados para sustentar candidaturas, mas incapazes de produzir mudanças reais. No campo da educação, a mola propulsora do desenvolvimento nacional, o país precisa de políticas sérias e de longo prazo, voltadas à inclusão e à qualidade universal.
Premiar estudantes por notas ou frequência não resolve a evasão escolar. O que combate o abandono das salas de aula é investimento consistente: escolas públicas de excelência, professores valorizados, infraestrutura adequada e políticas culturais que alcancem cada comunidade.
Transformar a educação em moeda de troca eleitoral é reduzir o futuro da nação a um cálculo de votos. O Brasil não precisa de prêmios condicionados, precisa de políticas educacionais sólidas, capazes de garantir acesso, permanência e qualidade para todos.
Chega de soluções cosméticas. É hora de exigir responsabilidade, planejamento e compromisso com a educação como base de uma sociedade livre, crítica e desenvolvida. O país não pode aceitar que a formação de seus jovens seja manipulada por estratégias eleitorais de curto prazo.

segunda-feira, 20 de julho de 2026

As primeiras-damas deixam os bastidores e passam a disputar espaço no poder


Segundo o Cogresso em Foco, em 2026, diversas primeiras-damas e esposas de lideranças políticas devem disputar vagas no Legislativo, em um movimento que reúne nomes de diferentes partidos e regiões do país e reflete uma nova etapa de participação feminina na política institucional. 
Não se trata de negar às mulheres o direito de participar da política — esse direito é legítimo e igual ao dos homens. O problema é que a porta se abre para candidaturas que muitas vezes parecem buscar apenas cargos públicos sem concurso, atraídas pelas luzes da ribalta e pelos benefícios parlamentares. 
Grande parte dessas candidaturas não se apoia em trajetórias profissionais sólidas na iniciativa privada; caso contrário, dificilmente abandonariam suas carreiras para ocupar funções políticas. Muitas se apresentam como reflexo da imagem de seus maridos, tornando-se “candidatas-espelho” em busca de salários e privilégios. 
Movidos mais por vantagens pessoais do que pelo genuíno propósito de servir à sociedade e à nação, esses candidatos acabam transformando a política em um palco de interesses privados. Essa inversão de valores corrói a credibilidade das instituições e distancia o exercício parlamentar de sua verdadeira missão: representar o povo e trabalhar pelo bem comum. 
Se o exercício parlamentar não fosse tão bem remunerado, é plausível supor que boa parte desses nomes não se aventuraria na política. E essa crítica não se restringe às mulheres: também se aplica aos homens que ingressam na vida pública movidos mais por conveniência e privilégios. 

Congresso Nacional: o circo dos horrores



Entre insultos e acusações, a política brasileira perde respeito e credibilidade. O episódio recente na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, envolvendo os senadores Dra. Eudócia (PSDB-AL) e Renan Calheiros (MDB-AL), expõe de forma cristalina a degradação do ambiente político brasileiro. O embate, marcado por acusações diretas de corrupção e pela exigência de respeito, não apenas revela a tensão entre parlamentares, mas também escancara a falta de decoro que deveria ser a base mínima de qualquer casa legislativa.
Quando uma senadora afirma em plena sessão que seu colega é “o homem mais corrupto do Brasil” e solicita que tal declaração conste nas notas taquigráficas, o que se vê não é apenas um ataque pessoal, mas a institucionalização da baixaria. O Congresso, que deveria ser espaço de debate qualificado e de construção de soluções para os problemas nacionais, transforma-se em palco de acusações que mais lembram boletins policiais do que discussões parlamentares.
É legítimo questionar: se dentro do Congresso alguém gritasse “pega ladrão”, quantos se esconderiam? A provocação é dura, mas reflete o sentimento de grande parte da sociedade, que já não reconhece seus representantes como dignos de respeito. A credibilidade da instituição está corroída, e os episódios de insultos e acusações explícitas apenas reforçam essa percepção.
O problema não está apenas nas palavras trocadas, mas na ausência de mecanismos eficazes de responsabilização. Se houvesse presidentes de Senado e Câmara comprometidos com a ética e a moralidade, acusações dessa gravidade seriam imediatamente encaminhadas ao Conselho de Ética, com punições exemplares. A suspensão temporária de mandatos seria o mínimo esperado para resgatar a seriedade da instituição. No entanto, o que se vê é a complacência, o silêncio e a normalização da indecência.
A solução passa por algo que ainda não existe em nossa Constituição: o sistema de recall. Enquanto o povo não tiver o poder de cassar diretamente políticos indecorosos, a impunidade seguirá reinando. O Congresso continuará sendo um “circo dos horrores”, onde a ética é substituída pela conveniência e a moralidade pela barganha.
O episódio entre Eudócia e Renan não é apenas um caso isolado; é sintoma de um mal maior. A política brasileira precisa urgentemente de mecanismos de tolerância zero contra a corrupção e contra o desrespeito institucional. Sem isso, o abismo entre representantes e representados continuará a crescer, e a democracia seguirá fragilizada.

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quarta-feira, 15 de julho de 2026

Polarização política: mito ou realidade?


Nos últimos anos, tornou-se comum ouvir parlamentares afirmarem que a polarização política no Brasil é irreversível, uma realidade à qual todos devem se acostumar. Discordo: trata-se de uma construção artificial, intensificada a partir da eleição de Jair Bolsonaro como contraponto ao presidente Lula. 
Historicamente, o Brasil sempre teve disputas ideológicas, mas nunca reduziu o debate nacional a dois indivíduos. Nos anos 1950, por exemplo, trabalhistas e udenistas se enfrentavam, mas havia espaço para outras forças políticas.  
O que vemos hoje é uma polarização alimentada por uma imprensa dividida e por pesquisas eleitorais que, muitas vezes, criam perfis artificiais de eleitorado. Exemplo disso, foi a cobertura das manifestações de 2013, que receberam leituras distintas conforme o viés editorial de cada veículo, criando narrativas oposta sobre o mesmo fenômeno. Em 2018, institutos subestimaram candidaturas fora do eixo tradicional, revelando como pesquisas podem induzir percepções equivocadas. 
Outro fator que contribui para esse cenário é o voto obrigatório, que perpetua políticos medíocres e impede a adoção do voto facultativo, modelo presente em democracias avançadas como Estados Unidos e Reino Unido. 
A polarização só existe na cabeça de quem se deixa levar por narrativas simplistas e não percebem que existem outros candidatos com propostas. Nas eleições municipais, por exemplo, há sempre uma diversidade de candidatos e propostas que raramente recebem atenção nacional, mas que representam alternativas reais. O eleitor consciente não precisa se sentir obrigado a escolher entre dois polos: pode anular o voto, deixar de comparecer ou apoiar projetos diferentes. 
Portanto, dizer que a polarização é inevitável é uma estultice. Ela só se sustenta se o eleitor agir como autômato, sem discernimento. Quem pensa de forma crítica percebe que a política não se resume a Lula ou Bolsonaro, esquerda ou direita. O cemitério está cheio de ex-políticos cuja ausência jamais foi sentida — e isso prova que ninguém é insubstituível. 
Quem tem discernimento não se orienta pela polarização política. 

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Damares Alves: uma senadora cabeça dura

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) declarou que segue apoiando a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República e rebateu críticas de apoiadores da direita que a acusam de abandonar o projeto político. Em discurso no Senado, também criticou os ataques entre integrantes do campo conservador. Ao encerrar, afirmou que não pretende responder às críticas nas redes sociais: “Os aloprados da internet eu não devo satisfação. Eu devo satisfação aos meus eleitores do Distrito Federal, à minha família, ao meu Deus e à minha igreja.”

Essa postura revela um equívoco grave. A senadora parece esquecer que ocupa um cargo nacional e não apenas distrital. Como representante da República, deve satisfação a todos os brasileiros, não apenas ao seu círculo eleitoral, familiar ou religioso. O Brasil é um Estado laico: portanto, não cabe à senadora subordinar sua atuação política à sua igreja ou ao seu Deus, mas sim ao povo e às instituições democráticas.

Ao desdenhar das críticas, Damares incorre em contradição. Chamar de “aloprados” os que a questionam é, na verdade, uma manifestação aloprada. Persistir no apoio a Flávio Bolsonaro — um candidato sem propostas, dependente da sombra do pai e incapaz de se afirmar por mérito próprio — é insistir em um projeto político natimorto. A senadora, ao se colocar como defensora desse espelho político, reforça a fragilidade de uma candidatura que não se sustenta por si mesma.